A vida nova dos estudantes do “ano diferente” 

Ano letivo em tempos epidêmicos demonstra a necessidade de adaptação e de compreensão das mudanças. PEC reforça a importância das conexões e o entendimento mais amplo sobre os nativos digitais.

Na reta final do último trimestre letivo de 2020, muitos estudantes do Colégio Medianeira se veem em período de avaliações e de entregas de trabalhos interdisciplinares. Além das pressões naturais dos processos que exigem performance acadêmica, os estudantes do “ano da pandemia” precisam lidar com as transformações recentes dos modelos de aprendizagem e com os impactos das mudanças na rotina diária.

“Ganhei uma ‘rotina moderna’, com aulas gravadas, lives e estudos em casa, mas sinto falta dos meus amigos, do contato pessoal“, alega Elisete Amorim, estudante do 6.º do Ensino Fundamental. A estudante entende os motivos do isolamento social, mas reconhece que a rotina nova transformou sobretudo a “parte social”: “Sinto muita falta das conversas presenciais”, confessa. 

Elisete se encaixa no perfil de nativa digital, a estudante que já convive diariamente com as novas tecnologias, sem ter vivido a ruptura entre o que chamamos de virtual e analógico. De acordo com o PEC, no artigo 26, as tecnologias digitais vêm alterando a vida nas sociedades contemporâneas, imergindo a educação em um “entorno tecnocomunicativo”. Em suma, o virtual e o presencial se misturam e se afetam. Contudo, mesmo em um contexto de convergência e de legitimação das novas ferramentas, as mudanças seguem gerando tensionamentos.

No âmbito escolar, saiu repentinamente o contato físico entre educadores e estudantes e o espaço de aula foi temporariamente deslocado para o ambiente virtual. Se fez necessário, então, um novo processo de adaptação e a discussão dos novos procedimentos, com ajustes de acordo também com as necessidades.

Lidar com o novo cenário se mostra um desafio pedagógico tanto para os educadores, que precisaram ampliar o domínio de novas ferramentas, quanto para os estudantes, lidando com a aplicação das novas ferramentas e com os impactos emocionais da mudança de rotina — uma camada de impacto também aguda na vida dos professores.

“Sinto falta do nosso Colégio, a convivência com os professores e amigos… Tenho um carinho enorme por onde estudo. Minha mãe e meus tios estudaram aqui e nesse ano completo oito anos estudando no Medianeira. São muitas lembranças e muitas amizades”, afirma Milena Luisa, também estudante do 6.º ano. 

Em “Um olhar para a aprendizagem socioemocional do STEAM”, capítulo 9 de STEAM em sala de aula (Editora Penso, 2020), obra organizada por Lilian Bacich e Leandro Holanda, Débora Garofalo e a própria Lilian refletem como a nossa sociedade da informação e da comunicação exige cada vez mais aprender novas formas de conhecimento e de integração — e como isso impacta cada vez mais as formas de conceber as aprendizagens.  

“É preciso ampliar a visão de currículo no ensino de ciências para que sejam consideradas as relações entre disciplinas e para que essas relações se concretizem em estratégias que favoreçam a aprendizagem com sentido e significado no contexto em que se inserem”, defendem Débora e Lilian. Pensar estratégias contemporâneas é, sem dúvida, o grande desafio dos educadores. Absorver as estratégias e lidar bem com as mudanças, o grande desafio dos estudantes. É um processo de mão dupla.

O STEAM, sigla em inglês para Ciência, Tecnologia. Engenharia, Artes e Matemática, pensa a educação básica ativa diante dos contextos que se oferecem. E o que é o STEAM diante de um cenário como a pandemia do novo coronavírus? É a assimilação da mudança e das oportunidades que a mudança promove. “Não estamos vivendo um rompimento de método. Precisamos, a partir das leituras de mundo e de contexto, reorganizar os projetos pedagógicos”, define Fernando Guidini, diretor acadêmico do Medianeira.  

Se a liberdade de ideias (e de enfrentamento ao contraditório) é uma das condições basilares da produção de ciência, lidar com as mudanças atuais é também uma forma de compreender melhor as aprendizagens. “O mundo muda e nós acompanhamos as mudanças, reforçando nossos princípios. Quanto mais formos abertos ao contexto, mais o nosso projeto pedagógico se torna atual, pois não deixamos de tratar das grandes questões do nosso tempo. O novo sempre traz consigo importantes discussões de fundo”, alega Guidini.  

Reorganizar as dinâmicas de aprendizagem demanda, principalmente, abrir um novo processo de escuta dos estudantes, centro de todo o processo pedagógico. Os novos tempos educacionais demonstram cada vez mais a importância do ensino híbrido, que mescla as potencialidades do ambiente digital com a importância histórica da aprendizagem presencial. “Prefiro aulas presenciais, o que não significa que a aula online está ruim ou improdutiva”, esclarece a estudante Elisete. “Por sinal, o Colégio está lidando muito bem com o método de estudo novo. Minha rotina mudou muito, mas eu me acostumei”, completa.

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