O novo ambiente de ensino e os desafios impostos pela remodelação estrutural na aprendizagem

A autossuperação e o ambiente virtual para aprendizagem no Ensino Fundamental I

Sem nem mesmo ter começado, o ano de 2020 já tinha sido cuidadosamente planejado, ainda em 2019. E, ao vislumbrarmos um novo ano, desde educadores, estudantes e até as famílias criam expectativas e esperanças. O que não sabíamos era que este ano reservava surpresas: um vírus desconhecido e a necessidade de isolamento social, gerando medo e insegurança. Sem aviso prévio, com o desafio da distância imposta, foi necessário replanejar e reinventar tudo.

O que se sucedeu, frente a isso, foram “dias intensos de formação dos(as) educadores(as) e infindáveis reuniões para encontrar a melhor forma de ensinar e aprender à distância, respeitando as faixas etárias e suas necessidades”, como aponta Juliana Cristina Heleno, Orientadora Pedagógica do Ensino Infantil ao 5º ano. Apoiada em Vigotsky, a Orientadora garante: educação de crianças se faz com interação, com mediação. E porque na “escola tudo educa”, um desafio estava lançado.

“O colégio é um lugar de aprendizagens – desde a chegada até o momento da despedida. Aprende-se na sala de aula, nos campos, nos bosques, nas portarias, nos recreios, com os(as) professores(as), com os(as) amigos, com os demais educadores(as). O nosso Colégio tem um espaço físico privilegiado e nossas histórias e memórias vão se construindo também no contato com as árvores, com os pássaros e com o verde que nos acolhe”, conta Juliana. Imbuídos(as) desta certeza, nossos(as) educadores(as) se lançam à resolução da problemática de promover aprendizagens e interações apesar da impossibilidade do presencial.

Diante deste cenário, desde 13 de abril de 2020, uma nova dinâmica de interações e tarefas on-line foi instituída no Colégio Medianeira. Aliado ao apoio das famílias, que recebem virtualmente nossos educadores todos os dias em suas casas, o trabalho dos(as) educadores(as) reflete no comprometimento dos estudantes. “Tem sido um período de muitas aprendizagens: as ferramentas, as plataformas, as conexões, a participação no ambiente virtual, a realização das tarefas sem a mediação direta dos(as) educadores(as), a netiqueta (termo que temos usado em referência a uma postura desejável no ambiente virtual: a “etiqueta da internet”)”, descreve a Orientadora.

As semanas vividas neste processo permitem a retomada parcial dos vínculos dos(as) estudantes com os(as) professores(as), com os(as) colegas e com a aprendizagem. Nesse sentido, além de buscar diversificar metodologias, objetiva-se, também promover ambientes de escuta, pois a dimensão socioemocional é uma preocupação central neste período. “Se nós, adultos, sofremos, sentimos falta da “vida normal”, nos angustiamos, as crianças também – e, muitas vezes, sem maturidade suficiente para entender a situação toda”, explica Juliana.

Buscando adequar as aulas, o vínculo, o afeto e os valores ao ambiente virtual, ingredientes essenciais à aprendizagem, os educadores(as) seguem aprendendo junto aos estudantes. O retorno das famílias ajuda a perceber desafios e possibilidades, para qualificação dos processos; Abrindo novos canais de comunicação, via ClipEscola, por exemplo, facilita-se o contato da família com os orientadores de aprendizagem e regentes das turmas, mas não há receitas prontas e nem soluções mágicas. O tempo todo estamos trabalhando com os(as) estudantes, avaliando, replanejando.

Por conseguinte, Juliana explica que, no atual modelo de ensino, a “sala de aula” tem dois educadores, um titular e um auxiliar, para garantir a melhor participação de todos(as). “Já estamos conseguindo colocar em prática atendimentos mais individualizados para aqueles que precisam, mediados pelos orientadores de aprendizagem, em contato com as famílias, são caminhos que vão sendo descobertos”, resume.

Já por parte dos(as) estudantes, o que se percebe é que aprendem rápido e dominam facilmente não só as ferramentas tecnológicas, mas também os conteúdos trabalhados e, se têm dúvidas, utilizam canais de comunicação diversos para a descoberta de resoluções. “Manter-se atento(a) é uma tarefa muito difícil para estudantes de pouca idade, é preciso ajudar, alguns se distraem com o chat, outros frustram-se por não conseguir falar, precisam de mediação específica. As crianças menores, de 6/7 anos, precisam de apoio da família, sabemos o quanto isso tem exigido de pais e mães, e por esta parceria somos muito gratos. Uma coisa tão fácil que era entregar a tarefa à professora ou ao professor tornou-se um desafio, via Moodle, via ClipEscola, via e-mail, vamos testando e construindo novos canais de comunicação”, avalia.

Para mais, até o vocabulário foi ressignificado, com novas palavras que até então não eram muito utilizadas: Teams, link, Moodle, interação, fórum, quiz, chat, ClipEscola e assim por diante. Além do uso do papel e dos objetos riscantes, os vídeos e as fotos passaram a fazer parte do cotidiano de estudantes e famílias. Mas a orientadora declara que ainda há muito a qualificar, pois surgem novas demandas cotidianamente. “É preciso confessar em alto e bom tom: está sendo muito difícil! Para todos e todas! Mas a situação é implacável, pois se trata de preservar a vida e não há nada, absolutamente nada, mais importante do que isso”, assegura ela. Finalmente, alimentando a esperança com relação à volta às aulas presenciais, Juliana aponta: “quando isso acontecer teremos que nos readaptar ao presencial, diagnosticar aprendizagens, replanejar conteúdos e conceitos, e 2020 terá sido, com certeza, um dos anos mais difíceis das nossas vidas e, por isso, um ano de muitas aprendizagens”