Que a produção de informação é gigantesca, disso ninguém mais tem dúvida. Acontece que às vezes os assuntos vão ficando tão especializados, mas tão especializados, que eles se aprofundam, mas não se alargam…

Comecei mal, ficou confuso. Vou tentar de novo.

É que a chamada hiperespecialização gera um saber tão vertical – profundo – em determinado assunto que muitas vezes se esquece de olhar para os lados e tentar arejar seu conhecimento por meio de um diálogo dinâmico com outros saberes. Por isso que ambas, verticalidade e horizontalidade, são importantes, e não é à toa que evocar a figura da espiral pode ser uma boa imagem mental para compreendermos a questão.

Mas eu não quero ficar aqui só teorizando; na verdade, esse papo todo começou porque eu tenho uma dúvida bem concreta: nos jornais – rádio, jornal, televisão, web, tanto faz – eu volta e meia não sei como reagir a notícias como essas: “a economia está aquecendo”; “a indústria automobilística ajuda a aquecer o mercado”; “venda de carros é responsável pela elevação do índice de empregos”. Maravilha, parece ser só notícia boa. Mas, ao mesmo tempo, lado a lado, é possível ler sobre o aquecimento da economia e sobre o aquecimento do planeta. Como pode? Um aquecimento é bom e o outro é ruim. Mas um não tem relação com o outro?

Entende qual é minha dúvida? Eu quero saber quando é que, seriamente, as Ciências Econômicas vão conversar com as Ciências Naturais, como a Ecologia, por exemplo. Se a Economia ficar apenas olhando pro seu umbigo, ela vai ficar comemorando fatos desligados da teia dos acontecimentos humanos. O economês solta o verbo, mas não solta as rédeas do poder conferido a ele, e que o transforma numa espécie de mensageiro do Apocalipse ou da Boa Nova.

Assisto à declaração do Barack Obama falando que a população chinesa precisa consumir mais. Fico feliz de saber que as pessoas estão empregadas. Fico feliz também de saber que o brasileiro está com maior poder aquisitivo, que pode comprar mais e isso estimula a produção, mantém e até aumenta os níveis de emprego etc. Consegui entender que quanto mais se consome, mais é preciso produzir e mais empregos são necessários para produzir mais, e mais empregos também aumentam o poder aquisitivo das pessoas, que podem consumir mais etc etc…

Feliz da vida com tanta notícia boa da economia! Daí, numa mesma edição de jornal, vemos congestionamentos batendo recordes nas grandes cidades, lemos sobre poluição, aquecimento global, lixo eletrônico, sacolas plásticas formando um monstro no meio do oceano…

Num jornal escrito, é muito comum termos o caderno de economia (festejando um tipo de aquecimento) e outro caderno de ciência/ecologia (lamentando outro tipo de aquecimento). Por isso é que fico me perguntando quando assuntos tão interdependentes como estes vão começar a conversar de fato e parar de aparecer apenas “lado a lado”, paralelos, sem nunca se encontrarem e buscarem soluções.

Sim, temos hoje em dia algumas publicações especializadas (e aceitamos indicações de livros, sites, entidades etc. É só indicar aí nos comentários). Mas essas publicações especializadas precisam deixar de ser restritas e tentar de alguma forma furar possíveis bloqueios do mainstream midiático. Precisam aparecer mais para o mundo e inundar o senso comum com algo a mais do que o conservadorismo, o clichê, a falsa lógica e a superficialidade.

O que você acha?

Os vídeos abaixo dão uma boa dica de como é possível fazermos as aproximações tão necessárias entre, por exemplo, economia e aquecimento global.

Aquele abraço.

Nilton Cezar Tridapalli