Detalhe do muro externo do Colégio Medianeira.

Pra você:

– É melhor ser totalmente destemido ou um completo covarde?

– É melhor se empanturrar de comida ou não comer nada?

– É melhor passar sete horas por dia numa academia ou ser um sedentário?

– É melhor passar a vida estudando, sem conhecer direito a vida, ou é melhor passar o estudo vivendo, sem conhecer direito o estudo?

Perguntas como essas sempre me deixaram desconfiado. De início, fico pensando qual a melhor opção. Depois, me toco de que esses dilemas são muitas vezes falsos. Quem disse que a gente tem que escolher entre uma ou outra opção? De um extremo a outro das alternativas radicais, existem muitas outras possibilidades, muitos outros matizes.

O Aristóteles deve ter sido o primeiro a falar que a virtude humana residia no equilíbrio. Cada extremo corresponde a dois vícios (o do exagero de um lado e o da escassez de outro). A virtude estaria no meio desses dois extremos.

Taí o “hômi”.

A vida e as situações em que ela nos coloca são mais complexas do que a fórmula aristotélica, mas esse risco de tentar sair de um extremo problemático caindo no outro extremo – igualmente problemático – me faz pensar na educação e de como ela vem lidando com as chamadas novas mídias digitais.

Vou tentar explicar melhor essa associação maluca entre Aristóteles e a cibercultura, pra não parecer pedante nem forçada essa abdução (abdução no sentido semiótico, é claro!):

Um extremo: a escola parada no tempo – As sociedades contemporâneas estão já há algum tempo reorganizando drasticamente seus modos de lidar com a informação. Gerações mais novas costumam ser caracterizadas como “multitarefas”, pois conseguem realizar muitas coisas simultaneamente e têm à disposição computador ligado à rede, celulares (muitos também ligados à rede), com os quais podem fotografar, filmar, aparelhos de Ipod ou similar… Enfim, são muitos os et ceteras… Assim, num dos extremos, vemos a escola não usando esses recursos como formas de potencializar aprendizado. Isso pode se dar por despreparo, por falta de equipamentos à altura dos que os seus alunos têm em casa, por aversão ideológica, entre outros motivos que não me (s)ocorrem agora. Enquanto isso, a escola vai perdendo espaço na vida cotidiana, se desvinculando dos processos contemporâneos de tessitura do conhecimento, perdendo uma chance de trazer para si um aluno frequentemente desatento à monotonia da sala de aula ou frequentemente não cabendo em si e querendo fazer explodir sua energia interna. É o tal do indisciplinado.

Desanimado diante dos livros: isso significa que não devemos mais pedir leituras extensas?

Outro extremo: a escola querendo se adaptar a todo o custo às novas realidades – Embarcando no trem fantasma da velocidade contemporânea, não tem tempo de avaliar a si mesma e a seus processos educativos, pois precisa fazer “boa figura” diante da sociedade, comprando sempre mais e mais modernos equipamentos. Percebe que o aluno tem outros interesses e precisa mimá-lo, correndo atrás do que ele quer e demanda. Depois reclama que o aluno atual não tem limites, que não sabe ser contrariado etc. E se esquece de fazer a pergunta: “mas, peraí, será que as formas mais tradicionais de aprendizagem não têm nenhum valor? Será que não é importante ter reservas de solidão, ler um livro de 300 páginas, visitar museus reais?”

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Então, se eu perguntasse:

– Você prefere uma escola que só pensa e não muda ou uma escola que só muda e não pensa? Que resposta poderíamos elaborar?

Aí é que entrou minha associação com Aristóteles. Qual a virtude correspondente a estes dois vícios? Nesse caso, buscar a virtude é ficar em cima do muro? É possível buscar o melhor dos dois extremos?

Equilíbrio é uma palavra importante e é preciso que a gente construa o seu significado pensando nas questões colocadas acima. Bem – e aproveitando para fazer um merchand -, não é à toa que o Colégio Medianeira tem em seu slogan o “Equilíbrio para transformar”. É isso que estamos buscando.

Eis o que eu pensei essa semana e quis compartilhar com vocês. Mas terminei a reflexão principal com uma interrogação. Se quiser me ajudar a responder, fique à vontade, como sempre. A casa é sua.

Um abraço.

Cezar Tridapalli