Covid-19, poluição atmosférica e o cuidado com a casa comum

A poluição pode ser definida como qualquer forma de matéria que torna o ar nocivo, tóxico, impróprio ou ofensivo à saúde. Com o crescimento das fontes de poluentes na atmosfera, o impacto pode ser sentido diretamente na saúde humana e nos ecossistemas, o que nos leva à necessidade de dar maior atenção ao monitoramento da qualidade do ar. Uma das consequências do confinamento e distanciamento social foi a redução da poluição atmosférica devido à queda da emissão de materiais particulados e gases do efeito estufa, principalmente pelo cancelamento de voos e menor circulação de veículos.

O material particulado (MP) é um poluente atmosférico especialmente preocupante devido à possibilidade de sua entrada no sistema respiratório, que pode causar asma, câncer e até levar à morte.  Em meio à pandemia causada pelo COVID-19, uma boa notícia: após o confinamento, muitas cidades registraram quedas drásticas nos níveis de MP. Segundo o CNBC (Consumer News and Business Channel), em relação ao mesmo período do ano anterior, a cidade de Los Angeles apresentou queda de 31% de material particulado presente no ar. Wuhan e Seoul apresentaram redução de 44% e 54%, respectivamente. Além disso, agora, a população de Punjab, na Índia, pode ver os picos nevados no Everest, o que não acontecia há muitas décadas.
A melhoria na qualidade do ar pôde ser percebida também no Brasil. São Paulo apresentou redução de 50% dos poluentes primários, 33% de NO2 e 30% do material particulado, segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo e o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo. Segundo estudos do Centro de Pesquisas em Energia e Ar Limpo (CREA), a redução da poluição atmosférica provocada pelo confinamento evitará 11.000 mortes na Europa, além de evitar 6.000 novos casos de asma em crianças e 1.900 visitas aos serviços de emergência devido à crises de asma.
Olhar para o futuro requer repensar nossas escolhas e definir novos caminhos. As economias, fragilizadas, precisarão de planos para sua retomada. Que momento será melhor que este para a elaboração de um plano que considere o desenvolvimento sustentável, a primazia dos serviços ecossistêmicos e a manutenção da natureza como componente essencial à nossa sobrevivência? Afinal, nossa saúde pessoal e coletiva está intimamente relacionada à saúde da nossa casa comum, o planeta Terra.

Para refletir:

Quais são as relações entre a saúde ambiental e a saúde humana? Como isso se aplica à pandemia de COVID-19 e ao cuidado com a Casa Comum (Terra)?

O material particulado é um poluente atmosférico especialmente danoso à saúde humana. Quais medidas poderiam diminuir os níveis deste poluente após a pandemia?

Podemos esperar outras relações entre a poluição atmosférica e a pandemia de Coronavírus (COVID-19), além das citadas no texto e mostradas no infográfico?