“Expandindo fronteiras: literatura e educação para ver além dos seus próprios horizontes”

Na primeira noite da FLIM, escritora Noemi Jaffe enfatiza a literatura como ferramenta para a educação

06/11/2019 Notícias| Noemi Jaffe, FLIM

A palestra de abertura da Festa das Linguagens (FLIM) 2019 ficou por conta de Noemi Jaffe: professora, escritora e crítica literária. Com uma vida dedicada às letras, é autora de romances, contos, ensaios e crítica. Atua nas áreas de literatura brasileira, literatura estrangeira, poesia, artes visuais e música popular brasileira.

É Doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP). Foi professora de Literatura brasileira por mais de vinte anos no ensino médio e está à frente da “Escrevedeira”, onde ministra aulas de Escrita Criativa. Com mais de 10 obras publicadas, entre ficção e não ficção. Em 2014, recebeu o Prêmio Brasília de Literatura, com o livro A verdadeira história do alfabeto. Atualmente, é responsável pelo Centro Cultural Literário Escrevedeira, em São Paulo.

Filha de pais refugiados, a mais nova entre três mulheres, Noemi nasceu no Brasil, com sua família já estabelecida no país. Ao longo dos anos, teve o privilégio de ouvir as histórias de sua família sobre a vida no contexto da Segunda Guerra Mundial.

“Eles nunca me pouparam dessas histórias. Eu cresci ouvindo sobre os campos de concentração e tinha uma história em particular que sempre me atraiu muito: a do diário que minha mãe escreveu depois de ser salva da guerra pela Cruz Vermelha”, destaca Noemi. E foi esse fato que deu início a tudo: “Eu sempre achava muito incrível que existisse esse diário. E sempre pensava que, um dia, gostaria de traduzi-lo”, completa.

Mesmo sem a tradição da leitura em sua família, a escritora desenvolveu, desde criança, o gosto pela leitura e pela escrita. Ela conta que, com 8 ou 9 anos, já pensava em escrever um livro justamente sobre a  história de sua mãe. Sua trajetória literária se deu com base na escrita de poemas e muita leitura. Seus tios a presenteavam com livros diversos e seu pai a incentivava comprando até enciclopédias.

Durante o período escolar, Noemi se destacou pela qualidade de seus textos, participando de concursos e sendo reconhecida por isso. Por isso, garante: “Adolescente, eu tinha certeza que queria escrever esse livro”.

Cursando Letras, sua vocação se evidenciou ainda mais. Deu aulas de português e literatura e, nesse meio tempo, trabalhava na tradução do diário. Mas demorou tempo para a publicação efetiva. Sua primeira obra, um livro de poemas, foi publicado quando já tinha 43 anos. E, em 2012, veio a publicação efetiva do livro que relata a história de sua mãe: “O que os cegos estão sonhando?”, por meio de um edital da Petrobras.

Nesse meio tempo, já graduada e pós-graduada (mestrado e doutorado), atuando como crítica literária e dando aulas de escrita criativa, Noemi começa a ficar mais conhecida e, consequentemente, sua obra desponta na cena literária.

Na primeira noite da Festa das Linguagens (FLIM) 2019, Noemi discursou sobre um dos temas mais fundamentais e recorrentes em sua obra: a fronteira eu-outro imposta diariamente a todos nós, humanos. Em tom sereno e muito centrada, sua linha de raciocínio abordou autores desde Aristóteles, até Drummond, tratando de estranhamento, paixão, autoconhecimento.

Aclamada pelos educadores do Colégio Medianeira, destacou seu trabalho com escrita criativa, enfatizando a literatura como ferramenta para a educação.