Gentileza gera gentileza

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“Gentileza recebe-se com gentileza.”

Cícero

Dia destes estava me lembrando de uma música que apresentei uma vez a um grupo de alunos uns dez anos atrás: “Gentileza”, de Marisa Monte. A intenção era desenvolver uma corrente movida pela máxima de José Datrino, mais conhecido como profeta Gentileza: a de que gentileza gera gentileza. Ele ficou conhecido pelas mensagens de bondade, amabilidade, respeito e cortesia contidas em seus escritos ao longo das pilastras do Viaduto do Caju, na cidade do Rio de Janeiro.

Sua arte, composta de textos escritos em verde e amarelo, fez com que fosse considerado uma espécie de escriba da cidade. No entanto, após sua morte, sua obra sofreu o desgaste natural do tempo, além de ter sido atingida por pichações. A música de Marisa Monte veio a se tornar uma espécie de apelo pela sua recuperação, o que de fato aconteceu com o Projeto Rio com Gentileza.

E por que gentileza, de fato, gera gentileza? Porque ser delicado e atencioso com as pessoas proporciona benefícios imediatos tanto para quem pratica, quanto para quem recebe. Alguns podem discordar, é verdade. Os gentis não raro são vistos como pessoas ingênuas ou tolas, ou como pessoas que se empenham demais em agradar os outros ainda que pelo simples fato de estarem empenhados na tarefa de cumprimentar a todos.

A gentileza é a expressão da nossa consideração pelos outros e torna a vida de todos mais fácil, como segurar uma porta para alguém, dar passagem no trânsito ou na fila do caixa, dar lugar no ônibus, ser pontual, ou simplesmente retribuir um sorriso. A gentileza pode sim gerar uma onda de mudanças, como mostra o vídeo a seguir:

 

A espécie humana prosperou graças à ação dos altruístas. É certo que acabamos caindo em um cotidiano que tem sido cada vez mais mediado pela competitividade, por conflitos muitas vezes inevitáveis ditados pelo ritmo alucinante das grandes metrópoles, que geram a exclusão e a fragmentação das relações. Mas, gente, gentileza é feita justamente de pequenos gestos, não consome tempo e não custa dinheiro. E faz com que nos sintamos pessoas melhores. E aí, como percebemos nossa cidade nesse aspecto? Curitiba com mais gentileza é possível?

Luciane Hagemeyer

By | 2018-02-27T13:35:47+00:00 Abril 29th, 2012|Consciência Planetária, n4|0 Comentários