Manter uma rotina, fortalecer a espiritualidade e expressar os sentimentos são as melhores maneiras de superar esses dias em casa

Glossário de emoções: ansiedade

Meses atrás, se alguém lhe dissesse que o mundo inteiro enfrentaria uma epidemia mundial e que uma parte muito grande da população teria de ficar de quarentena, você acreditaria? Pois é essa a realidade que estamos vivendo. Além de tomarmos todos os cuidados para evitar a propagação do novo coronavírus, temos de lidar com a incerteza e com o isolamento social, que podem aumentar a ansiedade e outros sentimentos como preocupação e medo.

A psicóloga Karolina Vargas, do Centro de Inclusão do Colégio Medianeira, explica que a ansiedade é um sentimento vago e desagradável, caracterizado por apreensão e tensão. Pode, também, causar algumas reações no próprio corpo como taquicardia, palpitações, dores de cabeça, entre outros. “É importante destacar que a ansiedade é um transtorno e deve ser diagnosticado por um profissional, porém, diante do contexto que estamos vivendo, é natural apresentarmos sintomas de ansiedade, o que não necessariamente se encaixa dentro do quadro psíquico do transtorno”.

— Caso você esteja se sentindo ansioso além do comum, tendo medo excessivo, pensamentos negativos, não esteja conseguindo dormir e apresentando sintomas físicos, é importante procurar ajuda profissional. Mas, além disso, para esse período de quarentena, busque informações em fontes confiáveis, e lembre-se: o excesso de informações pode causar mais ansiedade.

Reforço da espiritualidade

O Padre Agnaldo Duarte, S.J. acredita que a espiritualidade pode nos ajudar a evitar a ansiedade, porque é uma forma de reatar o contato com a interioridade, tomar consciência da realidade e nos oferece ferramentas para enfrentar com paciência e esperança este momento.

— A pandemia provocada pelo novo coronavírus veio transformar as nossas vidas.

É um tempo novo, de parada e recolhimento, que pode ser também uma oportunidade para descobrir a nossa liberdade interior e exercitar a fé, a esperança e a confiança. Assim, a espiritualidade nos faz mais sensíveis à presença de Deus, que age na nossa vida e na história dos povos.

O religioso esclarece que “o fortalecimento da espiritualidade pode acontecer de diversos modos, seja através do acesso a canais, site, redes sociais, revistas, livros e plataformas digitais confiáveis, que dispõem de um conjunto de propostas de reflexão e oração. Tudo isso pode nos ajudar a viver melhor este tempo”.

Ansiedade na infância

A psicóloga acrescenta que as crianças não estão isentas do impacto da pandemia, o que pode fazer com que elas também apresentem sintomas de ansiedade. “Para elas esse período torna–se ainda mais desafiador, pois estão tendo que conviver num espaço restrito, não estão indo à escola e nem fazendo aquilo que estavam habituadas”, explica Karolina.

A médica endocrinologista Geísa Cunha, mãe do Lucas do 7º ano do Colégio Medianeira, conta que sua família está driblando a ansiedade com atividades e momentos diários que os aproximam. “Estamos lendo livros, brincando de jogos de tabuleiro ou assistindo filmes juntos (cada dia um membro da família escolhe o programa), jogamos peteca ou ping-pong quase todos os dias. Também oramos juntos e procuramos conversar com as crianças sobre as dificuldades que aparecem”.

Karolina diz que a tática da médica está correta, pois, para lidar com os pequenos durante este momento e amenizar a ansiedade é importante que os adultos se organizem, elaborem uma nova rotina que inclua as crianças, procurem manter horário para acordar e dormir, consumir refeições saudáveis e reservar tempo para estudar, ler e brincar. “Converse com seus filhos sobre o que estamos vivendo, limite e acompanhe as informações que recebem neste período e procure responder as dúvidas que apresentarem. Não amedronte as crianças, mostre que este momento vai passar e em breve voltaremos a nossa rotina”, afirma a psicóloga.

Como está sendo o controle da ansiedade na sua casa?

Este texto faz parte do nosso Glossário de Emoções, compilado de conteúdos sobre sentimentos que têm feito parte do dia a dia de pais e estudantes durante a pandemia. Acompanhe as próximas postagens e compartilhe com a gente outras sensações que você tem vivido – e sobre as quais gostaria de ler mais.