Confira as dicas de como falar com os filhos sobre a Covid-19 de forma tranquila e honesta

Glossário de Emoções: insegurança

Medo e insegurança são alguns dos sentimentos que podem afetar não apenas os adultos, mas também crianças e adolescentes. As sensações ficam ainda mais acentuadas conforme o tempo em isolamento vai aumentando. A dúvida que fica para muitos pais é: como tratar desse tema com meus filhos? Como passar os cuidados neste momento sem alarmar e assustar? Como falar sobre distanciamento físico, mortes e contágio?

Com objetivo de elucidar alguns desses questionamentos, reunimos cinco dicas para abordar os temas relativos à pandemia sem gerar mais insegurança.

1. Espere seu filho perguntar

Mesmo depois de tanto tempo, o novo coronavírus ainda é o principal assunto em casa e nos noticiários. E, por esse motivo, alguns pais acabam falando sobre o tema em excesso. O indicado pelos especialistas é só fazer comentários sobre a Covid-19 quando as crianças ou adolescentes perguntarem.

Se eles vierem com essa demanda, é importante que vocês tentem entender o que eles já sabem sobre a doença e especificamente o que querem saber. Dessa forma, o primeiro passo é escutá-los para não adiantar respostas desnecessárias.

É assim que a professora Luciana de Luca Dalla Valle, mãe dos estudantes do Medianeira João Vitor, Rodrigo (ambos com 16 anos) e Henrique (14 anos), procura falar com seus filhos. Como eles são mais velhos, ela conversa muito com os jovens sobre o assunto. “Estamos sempre destacando a questão dos números com eles, para que percebam os avanços e retrocessos, mas não forçamos a barra com a informação. Não dá para ficar falando disso toda hora”, explica a educadora.

2. Utilize uma linguagem fácil

Falar de um tema como uma pandemia com as crianças mais novas não é uma tarefa simples. A psicóloga Karolina Vargas, do Centro de Inclusão do Colégio Medianeira, explica que uma forma de abordar a temática sem passar ansiedade e insegurança é buscar auxílio de recursos lúdicos como desenhos, livros e vídeos. “O uso desses materiais contribui para a compreensão das crianças e fazem com que elas elaborem o momento com mais facilidade”, garante.

3. Seja honesto

Criar um mundo de faz de conta não é recomendado. É importante tratar as informações com uma linguagem adequada para cada idade, mas com honestidade. Tentar evitar o assunto também não é a melhor solução, pois os filhos podem recorrer a meios não confiáveis para tirar as dúvidas.

Caso tenham acesso às famosas fake news, os pais devem perguntar a fonte dos dados e, se necessário, pesquisar com eles a veracidade da notícia.

“A conversa honesta é a melhor forma para acalmar as ansiedades e inseguranças. Não podemos achar que os jovens não estão pensando nisso, porque estão. Não falar é perigoso e dá margem para interpretações que podem não ajudar”, descreve Luciana.

4. Insista que todos devem lavar as mãos sempre (e não só por causa do coronavírus)

A Covid-19 colocou em destaque um assunto importante: a higienização correta das mãos. Essa atitude, que às vezes é esquecida, não previne só a infecção pelo novo coronavírus, mas também outras doenças. Por isso, devemos aproveitar esse período que as pessoas estão mais preocupadas com a saúde e falar de prevenção de forma geral com os filhos, incluindo também questões como alimentação e vacinas.

5. Mantenha a positividade

Tentar levar o momento com leveza e dar uma mensagem de esperança é essencial para afastar a insegurança. Alexandre Martins, professor de Filosofia e Sociologia do Ensino Médio do Colégio Medianeira, reforça que os pais devem levar em consideração que nenhum diálogo é neutro, isto é, sempre se transmite alguma informação, seja ela positiva ou negativa.

“Por isso, ao falar com os filhos sobre a insegurança quando se tem em mente um diálogo positivo, não se deve perder de vista a confiança, associada a projetos e criações de novas rotinas que, mesmo em períodos difíceis, são imprescindíveis. Caso contrário, abre-se espaço para uma negatividade que pode gerar ansiedade e, junto a ela, o sofrimento”, garante o educador.

Este texto faz parte do nosso Glossário de Emoções, compilado de conteúdos sobre sentimentos que têm feito parte do dia a dia de pais e estudantes durante a pandemia. Acompanhe as próximas postagens e compartilhe com a gente outras sensações que você tem vivido – e sobre as quais gostaria de ler mais.