Professhor Pacheco: “aprendizagem é doação. E somente pode haver aprendizagem quando existe vínculo”. Foto: Paulinha Kozlowski.

Professor Pacheco: “aprendizagem é doação. E somente pode haver aprendizagem quando existe vínculo”. Foto: Paulinha Kozlowski.

Texto por Jonatan Silva

Na última quarta-feira (26/10) o professor José Pacheco, idealizado da Escola da Ponte, em Portugal, visitou o Colégio Medianeira para uma bate-papo com educadores, famílias e a comunidade externa. Com o tema “Que outra escola é possível?”, a conversa mostrou a experiência do educador à frente do Projeto Âncora, em Cotia (SP), e de outras iniciativas de democratização da educação ao redor do mundo.

Formado em engenharia, o professor Pacheco descobriu sua vocação para a docência por acaso – após ser convidado pela professora de seus irmãos mais novos a assistir a uma palestra. Segundo o educador, o professor é o agente da mudança na educação e a sua relação com os alunos é a chave para a excelência humana e acadêmica. “Aprendizagem é doação. E somente pode haver aprendizagem quando existe vínculo”, explica.

O Brasil, na visão de José Pacheco, está à frente das maiores inovações em termos de educação no mundo. Ainda assim, admite que a mudança é um processo “feito de grandes conflitos”.

Para Juliana Heleno, responsável pelo Serviço de Orientação Pedagógica (SOP), da Educação Infantil ao 3º ano, a missão do professor Pacheco é tirar os educadores da zona de conforto. “As provocações dele me fazem pensar tanto sobre o que eu já fiz até aqui, como professora, todas as aulas que dei e no que de fato ensinei aos meus alunos, como também me fazem pensar sobre o que fazer daqui para frente”, afirma.

O educador contou suas experiências à frente da Escola da Ponte e do Projeto Âncora. Foto: Paulinha Kozlowski.

O educador contou suas experiências à frente da Escola da Ponte e do Projeto Âncora. Foto: Paulinha Kozlowski.

Desafios

Uma das estratégias abordadas pelo professor José Pacheco foi a necessidade de os processos e projetos educativos extrapolarem as salas de aula. “O grande obstáculo para a mudança”, aponta, “está em conceitos enraizados”. Ele reitera também o papel do educador como mediador do conhecimento e como a troca de experiências/vivências são fundamentais nos processos de aprendizagens.

O Projeto Educativo Comum (PEC), documento norteador da Rede Jesuíta de Educação (RJE), comenta no número 32 sobre a importância do protagonismo coletivo na educação. “O professor”, pontua o texto “é o profissional que propõe o caminho, aponta o mapa e acompanha os estudantes”.

De acordo com a coordenadora do Centro de Artes do Medianeira, Martinha Vieira, a fala do educador vai ao encontro da Projeto Político-Pedagógico do Colégio. “São nossas aspirações. O fato de ver algo que está acontecendo e dando certo é um alento e um encorajamento para os desafios”, disse.

Cerca de 300 pessoas estavam presentes na palestra. Foto: Paulinha Kozlowski.

Cerca de 300 pessoas estavam presentes na palestra. Foto: Paulinha Kozlowski.

Reflexões

Ao quebrar paradigmas e desfazer certezas, José Pacheco convida a comunidade à reflexão. Sob essa ótica, Juliana Heleno descreve que um dos maiores ensinamentos deixados pelo professor foi justamente o de que todas as pessoas são capazes de aprender, sem exceção. Para Martinha, o uso da arte como aprofundamento de outras disciplinas foi uma lição aprendida pelo educador por meio do Projeto Âncora.

O Colégio Medianeira, por intermédio do intercâmbio de experiências, permite aos educadores um momento de formação e também de novas aprendizagens, colocando em foco a preparação de alunos competentes, conscientes, compassivos e comprometidos, capazes de ver o mundo de maneira mais justa, democrática e cidadã.