Tecnofagia total... quem engole quem?

Já lançamos uma nova enquete aí ao lado perguntando bem sobre isso. É que a questão pode ser mais importante do que parece: mais brasileiros estão acessando a internet para informação e diversão; menos brasileiros estão usando a tv para isso.

A tv tem esse negócio de ser um emissor que transmite suas informações de modo unilateral (e não é à toa que quem a assiste é chamado de espectador, o sujeito que observa, que contempla). Por outro lado, o carinha que navega já é chamado de usuário. Não preciso nem esclarecer mais nada, né? As diferenças já começam na nomenclatura. Na internet, além de “receber”, o usuário também pode colocar informação, como se fizesse constantemente downloads e uploads da sua cabeça, da sua visão de mundo.

Além disso, na internet, os estímulos são extremamente variados e muitas vezes simultâneos, já que posso ouvir música, ler, escrever, conversar, assistir. Isso muda muito o jeitão de gerir informação e de se comunicar. E comunicar é “tornar comum”, mas a tv torna comum só a visão de mudo dela, ao passo que a internet aceita uma confluência de diversidades – até com o risco de nos perdermos nelas. Tem gente que diz que esse excesso distrai e destrói foco, concentração e aprofundamento (coisas que, por exemplo, um livro é mestre em proporcionar); outros acham que isso torna o sujeito mais ágil, capaz de lidar com a simultaneidade típica da época contemporânea (algo de que a internet é causa e consequência).

Particularmente, evito a armadilha do ou, tipo “será que essa mudança é boa ou ruim?” Prefiro achar que isso pode trazer vantagens edesvantagens… putz, argumentinho bem em cima do muro, hein? Mas é assim mesmo que eu vejo, pelo menos por enquanto.

A tv já traz um sentido proposto pra nós; a internet traz tantos, mas tantos sentidos, que a síntese pode ser mais rica, mas também mais difícil.

Talvez a tv seja mesmo engolida pela internet e seja apenas mais uma dentre as múltiplas formas que a net tem de oferecer informação (ou vai ser o contrário?). Já reparou que quase todos os programas de tv hoje te convidam para entrar na página da emissora e saber mais sobre determinado assunto?

Agora, vamos ao “argumento da autoridade”. Veja só o que diz o filósofo da cibercultura Pierre Lévy:

A pergunta é (valendo dois pontos, rs): isso vai trazer alguma mudança? Se sim, que tipo, por quê? Não pergunto isso só por perguntar. Quero sinceramente saber e aprender mais sobre esse negócio.

Falaí.

E aquele abraço.