Desafios e superações em um ambiente totalmente remodelado pela pandemia de Coronavírus

O contexto de aprendizagem a distância e a experiência da quarentena no Ensino Médio

No início de 2020, o mundo começou a conviver com uma pandemia, a COVID-19, que afetaria, nos meses seguintes, o mundo todo. A realidade distante tornou-se real e fez boa parte dos brasileiros se refugiarem em suas casas. As crianças e os jovens deixaram de ir para a escola e o ensino passou a ser remoto. Mas o que isso de fato significa? Como estudar e manter um ritmo de estudo sem a tutela de adultos? Quais as principais diferenças entre o ensino presencial e o ensino a distância? Como saber se os alunos estão aprendendo? Como manter as dimensões humana e acadêmica da formação integral, tão cara para a educação jesuíta, a partir do ensino remoto?

Desde as primeiras semanas de abril, o ensino remoto no Ensino Médio do Colégio Medianeira acontece por meio de aulas gravadas, lives e fóruns. O estudo a distância tem desafiado as equipes pedagógicas, os educadores e os estudantes a aprenderem de diversas maneiras, seja pelo domínio da tecnologia, seja pelas tentativas de diálogo que buscam aproximar o professor dos seus alunos e vice-versa, a partir de estratégias de problematizações e levantamento de dúvidas. “É sabido que estamos diante de novas formas de ensino e de aprendizagens para todos os envolvidos (famílias, estudantes e educadores) e temos aprendido que a escuta dos estudantes tem constituído um ponto crucial para que possamos adequar os trabalhos desenvolvidos às necessidades emergentes e inéditas para todos”, pontua Claudia Furtado de Miranda , Orientadora Pedagógica do Ensino Médio.

Conforme disse uma estudante da 2ª série do Ensino Médio, em uma das lives com a Orientação de Aprendizagem: “temos a questão de estudar e as demandas das tarefas, mas o que mais tem pesado é a questão mental, o isolamento”. Eis, aí, o principal desafio do ensino remoto, que estamos considerando e projetando estratégias que deem conta de como cuidar do emocional dos estudantes. “Somos seres de relações e, como tal, nossa aprendizagem acontece nas interações sociais, no olho no olho, nas contradições reais que estão presentes em todo o ambiente escolar: na explicação do professor e nas dúvidas explicitadas pelos estudantes, nas conversas paralelas de sala de aula, nos bate-papos e paqueras dos corredores, nas brincadeiras e piadas, nos encontros e desencontros que constituem as pessoas a partir dos outros”, garante a Orientadora Pedagógica.

Daí a importância das aulas que acontecem por meio das lives, poder ver o educador, escrever no chat, ouvir a voz dos colegas tem sido uma opção interessante para que ocorra um mínimo de interação. Para mais, o aumento das lives semanais com os orientadores de aprendizagem, para conversar com os grupos de colegas sobre a metodologia proposta no trato com os conteúdos; as conversas agendadas individualmente com os orientadores de aprendizagem; as atividades do Centro de Pastoral, com momentos de Pausa Inaciana… estas são algumas das estratégias que procuram ajudar nossos jovens neste período de isolamento.

Outra questão emergente é que, no contexto da educação básica, lidamos com jovens em formação, que precisam de acompanhamento nos estudos propostos. Nesse sentido, os professores acompanham as principais tarefas e retomam as dúvidas dos conteúdos ensinados por meio de lives e fóruns. Além disso, toda a equipe pedagógica e educadores têm participado de cursos de capacitação para o uso de novas tecnologias de ensino-aprendizagem.

“Neste caminho, a aprendizagem acontece a partir da organização e ritmo de estudo dos estudantes (fundamental para que os mesmos não se percam com o passar das semanas), da proatividade (levantamento de dúvidas e participação nas aulas em tempo real), do domínio da tecnologia (lógica de estudar a distância e do acesso e domínio dos recursos apresentados), da capacidade de análise e síntese do conhecimento, entre outras dimensões do aprender e do conhecer”, descreve Claudia.

Estamos vivendo o inesperado e nos renovado a cada dia – da melhor forma possível –, sabendo que temos de inovar e pensar em novos passos pedagógicos para atender às necessidades dos estudantes. Com este propósito, o caminho coletivo se faz junto com toda a comunidade: educadores, estudantes e famílias, pois como diria o cantor e poeta: “um sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade” – Raul Seixas.