O estudante como sujeito e a construção coletiva dos processos de ensino

Os desafios da transposição para o formato remoto no Ensino Fundamental II

Após a determinação do governo Estadual pela suspensão das aulas em virtude do Covid-19, o Colégio Medianeira iniciou a discussão acerca da preparação de espaços virtuais de aprendizagem. Não é novidade, os impactos da pandemia geram amplos efeitos em todas as esferas sociais, impondo novos ritmos e culturas. Mas, nos momentos de grandes mudanças normalmente as sociedades e sujeitos se põem a pensar sobre os pressupostos que guiam e normatizam as suas ações. E, no campo educativo, isso não é diferente.

A escolarização básica sempre trabalhou com alguns preceitos que, de tão evidentes, nem sempre eram postos em relevo: a necessidade do mundo das relações socioemocionais para a manutenção de uma educação efetiva, o cuidado interpessoal, a presença humana, a função do professor como sujeito e mediador constante das aprendizagens, a necessidade de uma educação gerindo sentido de transcendência, a concepção de um estudante como sujeito de todo o processo.

E é justamente na “transposição” desses pressupostos para o formato remoto de aprendizagem que nasce a possibilidade de criar caminhos que nos levem tanto a valorizar aquilo que é central na educação básica quanto a criar possibilidades criativas para se vencer os desafios impostos no presente. Nesse sentido, foi o empenho e engajamento de famílias, estudantes e profissionais da educação do Medianeira na criação de um espaço virtual com a nossa cara, com o nosso jeito de ensinar e aprender. “Por formamos uma faixa etária também em tempo de transição da infância à adolescência, a educação que propomos deve se adaptar à cultura de um sujeito conectado e antenado com o contexto presente, mas em fase de constituição da identidade e da autonomia nas três dimensões do processo formativo: dimensão cognitiva, socioemocional e espiritual-religiosa”, destaca Mayco Delavy, Orientador Pedagógico do Ensino Fundamental II.

Delavy destaca algumas estratégias que mostram que a escola é um sistema vivo de inteligências e vontades que, quando unidas, superam com muito mais facilidade os desafios e limites que brotam do contexto e evidenciam as aprendizagens geradas no projeto em curso.

Acompanhamento das aulas virtuais: a faixa etária do 6º ao 9º ano é um tempo cronológico que geralmente vai dos 11 aos 15 anos. São 4 anos essenciais na constituição e amadurecimento de um método de estudo capaz de autonomia. Nessas séries, não apenas ensinamos conteúdos, como também um modo de agir e ser no mundo. O acompanhamento das aulas gravadas, por parte do estudante, foi e está sendo um grande desafio, pois exigiu uma nova compreensão de tempo, de atenção e postura diante dos conteúdos. As relações também se estabelecem nesse espaço. No início todos os professores e professoras se preocuparam em acolher os estudantes, transmitindo uma mensagem de que estamos todos juntos, situando-os no novo espaço. Nas aulas seguintes já demos início ao trato com os novos conteúdos.

Participação das lives e fóruns: o ingresso do pré-adolescente neste espaço gerou inúmeras aprendizagens. A familiaridade com a comunicação em Rede já é um elemento constituidor da nova geração. No entanto, readequar e canalizar essa cultura para as intencionalidades próprias da escola foi um grande ganho. Portar-se no chat, sistematizar as dúvidas, escutar o outro, interagir com o professor. Não poucas vezes vimos estudantes ajudando os professores e colegas na manutenção dos chats e no uso da tecnologia.

Aprendizagem por meio das novas metodologias: o ensino remoto nos permite um investimento intensivo nas múltiplas linguagens a serviço da aprendizagem. O conceito de “sala de aula invertida”, tão divulgado no campo educacional, ganha destaque neste formato de ensino, pois trabalha em uma relação de equilíbrio entre aulas gravadas, fóruns e lives sistematizados por meio das atividades propostas pelos professores. Os conceitos de autonomia e protagonismo são pilares desse processo. No entanto, são pilares que devem ser acompanhados, orientados, cuidados pelos professores e famílias. Os componentes realizaram um grande exercício de adaptação das metodologias para a condução do planejamento de conteúdos previsto para o I trimestre.

Acompanhamento das aprendizagens: a relação de parceria entre família, escola e estudante é muito importante nesse cenário. Todo o processo de aprendizagem se dá mediado pela tecnologia, mas é conduzido por seres humanos de ponta a ponta. Nossa postura diante do outro, o modo como nos comunicamos e transmitimos o que pensamos revela em profundidade o que somos, nossas crenças e humanidade.

Finalmente, e porque vivemos a intensidade de um tempo de aprendizado e criação de um novo formato de ensino para a educação básica, o Orientador destaca a necessidade de se mediar as aprendizagens dos estudantes com serenidade, calma e discernimento. Afinal, “eles são o centro de todo esse processo”, lembra.

Aos profissionais da educação, cabe a criação de um espaço virtual saudável, sereno, consistente em conteúdo, rico em metodologias. Às famílias, acompanhar esse processo contribuindo para o amadurecimento da autonomia e liberdade dos que formamos. E, conforme Delavy, “não há dúvida de que somente juntos é que construiremos a educação de qualidade sonhada por todos”.