Olá! Depois de um período de recesso escolar, eis que estamos de volta, e com novidades. A partir desse semestre, mais gente integrará nossa equipe de escritores. Você os conhecerá à medida que eles aparecerem aqui. Toda segunda e quinta-feira, alguém diferente e de uma área diversa irá publicar seu modo de ver as coisas da vida, do mundo.

E sou eu que começo!

De minha parte, estive, juntamente com mais outros 11 educadores do Colégio Medianeira, no 5º. Congresso Inaciano, em Salvador.

Congressos são bacanas, embora cansativos. Uma parte bem específica de nosso corpo fica quadrada, às vezes ficamos compenetrados, às vezes ficamos olhando pro teto, às vezes anotamos coisas interessantes ditas pelos conferencistas, outras vezes desenhamos coisas sem sentido no bloco de anotações… é assim. Mas, como o tema era Ética, e esse assunto me interessa… Bem, vamos finalmente às explicações para o título desse post:

Particularmente, gosto de saber a origem das palavras. Quando penso em Ética – tema que perpassou todas as falas do congresso –, logo me vêm à cabeça vários termos-chaves e me divirto com o significado deles. Esse post, então, é uma oferta daquilo que coleciono no meu acervo mental e que penso ser fundamental cultivarmos para que nossa passagem por esse mundo seja plena de vivências e convivências. Meu pequeno dicionário que forma uma espécie de espinha dorsal para a conduta ética é o seguinte:

Companheirismo: companheiro vem de cum panis, e é aquele que divide o pão. Alguém já disse que o milagre da multiplicação não tem nada de sobrenatural. Não é mágica. É uma multiplicação que se dá pela divisão. E quem divide o pão é companheiro. Nem sempre é preciso ter mais, muitas vezes basta distribuir melhor o que já existe.

Convivência: obviamente, significa “viver com”, ou seja, não basta viver sozinho, não basta sobreviver. É preciso ter no raio de nossa ação a presença do outro, que é medida de nós mesmos.

“Comovência”: comover é “mover com”. O interessante dessa palavra é que ela ganhou ares de “emocionar” (que também tem seu sentido ligado ao movimento). Mas comover significa ser tocado por algo a ponto de andar junto, aceitar, acolher, recolher, dar as mãos e caminhar! De ser impelido a fazer algo, movido a fazer junto.

Confiança: “fiar com”, “fiar junto com”. Na hora de traçar fios, de urdir e enredar, é preciso alguém em sintonia para que a coisa não desande e nada dê errado. Tecer junto, trabalhar junto e ser companheiro. Quando você rompe uma relação de confiança, você pratica uma violência, que não é necessariamente física. Ou seja, você rompe os fios da convivência comovida e companheira.

Político: o político é aquele que se preocupa com as coisas da coletividade, da polis, da cidade. Em última instância, é aquele que se preocupa com os outros.

Idiota: do grego “idiótes”, é aquele que vive apenas dentro de seu próprio mundo, alheio aos outros. O idiota é o antípoda de tudo o que as outras palavras significam: ele não leva em consideração o outro, ele “acha feio o que não é espelho”. Ele, portanto, não divide o pão, não convive, não é impelido a agir coletivamente, movendo-se junto com outros. É alguém com quem não se deve fiar junto, pois o trabalho pode ir mal. Assim, ele não é companheiro, não convive, não comove, não confia, não é confiável e é apolítico.

E o mais engraçado é que ronda um sentimento de que quem se preocupa com os outros e busca cooperar e ser solidário é que é o idiota… Seria difícil colocar os pingos nos is e colocar a semântica das palavras para funcionar na prática? Como, por exemplo, é possível dizer que quem se preocupa com política é idiota, se os termos são um o contrário do outro?

E você? Tem uma resposta para as perguntas acima? Quer contribuir com mais alguma palavra?

Aquele abraço!

Cezar Tridapalli