A promoção do aprendizado por meio de lives interativas e os desafios para a adaptação dos pequenos

Reaprender e reinventar: os conceitos-chave para a interação virtual na Educação Infantil

Quando o choro estava cessando, o ambiente se tornando familiar, os vínculos começando a ser estabelecidos entre educadores(as) e crianças, Colégio e família, vemo-nos obrigados a interromper esse processo, mas com o intuito de cuidar das vidas de todos nós. Sem saber ao certo por quanto tempo, tudo parecia estar sob controle, pois logo voltaríamos para nossas rotinas. Mas não foi bem assim! A princípio, seriam 15 dias, mas já ultrapassamos esta marca e estamos em um outro momento, vivendo e experienciando algo novo em sociedade: o isolamento social imposto por uma crise sanitária provinda do vírus COVID-19. Então, vemo-nos diante deste cenário: correria, risadas, choros, brinquedos espalhados pelo chão, interação virtual, mídias para entreter as crianças enquanto a família responde um e-mail ou participa de uma reunião on line… Parada para o almoço!? Não! Pausa, para preparar o almoço da família, entre uma ligação, um e-mail ou uma reunião virtual e outra. Rotina! Que rotina? É preciso se reinventar, é preciso estabelecer uma nova rotina! Mas… como?

Este é o desafio que praticamente todas as famílias, com ou sem filhos pequenos, estão vivendo neste momento. De repente, todo mundo passa o dia inteiro em casa. Nos primeiros momentos, parecia até um feriado prolongado, mas o tempo foi se estendendo e a rotina precisou ser reinventada. Então, foi preciso (re)aprender a lidar com as relações cotidianas e nos reinventar diante do contexto de isolamento social, que nos desafia a modificar hábitos que já estavam estabelecidos! E, durante esses dias de confinamento, um turbilhão de ideias, pensamentos e dúvidas nos acometem. Afinal, nunca passamos tanto tempo em casa e em família, não é mesmo? Surgem questionamentos… como fica a escola em meio a tudo isso?

Em todos os ciclos de ensino, enfrentamos novos desafios. “Enquanto Colégio, temos tido a árdua tarefa de organizar os planejamentos pedagógicos, financeiros, sem perder o foco do nosso projeto educativo de uma Educação centrada na formação da pessoa toda e para toda a vida”, destaca Katia Luciana Luz Sampaio, Orientadora Pedagógica e de Aprendizagem da Educação Infantil. Ela esclarece que, conforme o Projeto Educativo Comum da Rede Jesuíta de Educação (RJE): “a aprendizagem que queremos se dá na perspectiva do desenvolvimento pleno do sujeito, pressupondo o aluno como centro do processo de aprendizagem” (PEC, 2016, p. 46). Diante disso, Katia garante: “o corpo docente do Colégio não tem medido esforços no sentido de dar passos significativos para essa educação Integral. Embora a educação remota, para as diferentes etapas da Educação básica, não estivesse no nosso horizonte de aprendizagem prioritária, o momento nos obriga, para que possamos proporcionar minimamente uma rotina de estudo, de interação, de vínculo e de comunicação, enquanto não houver o retorno presencial”.

A Educação Infantil diante do cenário inusitado de pandemia

A Educação Infantil representa um mundo de descobertas e vivências singulares. É neste período que se inicia o processo de formação integral. Nesse sentido, o foco de trabalho são as brincadeiras e interações, pois é dessa forma que as crianças planejam, experienciam e vivenciam situações cotidianas, iniciando os processos de planejamentos de estratégias e soluções para lidar com os desafios propostos pela nossa sociedade. Portanto, o Currículo da Educação Infantil se pauta na experiência das crianças diante de proposições com as diferentes linguagens. E, diante do contexto vivenciado, nosso maior compromisso é continuar dando evidência às interações e brincadeiras. “Nossos educadores têm sido incansáveis na tarefa de poder proporcionar a garantia dos direitos da criança com relação ao brincar, interagir, conviver, participar, explorar, expressar-se, conhecer e conhecer-se. Temos ciência que a presença física na escola é a melhor garantia destes direitos, mas, diante do contexto, tomamos como uma alternativa o uso do ambiente virtual, para podermos manter minimamente os vínculos estabelecidos no primeiro mês de aula, que mal deu tempo de ser consolidado, para algumas crianças e famílias”, explica a Orientadora.

Segundo Katia, a primeira interação neste novo ambiente trouxe aos pequenos um misto de sentimentos. Educadores, crianças e famílias ansiosos, pois isso é novidade e descoberta para todos: um novo modo de fazer escola e estar na vida das famílias, e de as famílias estarem na vida da escola. “A insegurança e a ansiedade tomaram conta de todos até o primeiro rostinho aparecer na tela. E a tarefa não é fácil. Para alguns, ainda têm sido um desafio constante lidar com a frustração de não ter o domínio de uma sala de aula na qual não se pode tocar, olhar no olho, sentir cheiros, acolher com um abraço, olhar a turma como um todo, entre todos os outros sentimentos que só podem ser sentidos presencialmente”, descreve. Mas, depois da interação, o alivio momentâneo. “– Ufa, até que não foi tão ruim assim! Mas a ‘Ana, o Fabrico, a Manuela e Pedro’ não estavam – e uma autoavaliação já nos cobra o que poderia ter sido feito diferente. Assim tem sido os dias dos nossos educadores”, pondera Katia.

Nesse sentido, uma educadora do Infantil 2 relata: “É um momento em que nós, professores, estamos nos reinventando e passando por desafios distintos: ora espaço apropriado para fazer uma gravação, ora a tecnologia que temos em mãos não está de acordo ou até mesmo a falta de habilidade no manuseio; ficar em frente a uma câmera pode ser desconfortante, porém não é isso que me preocupa, o que me preocupa é a promoção da interação com as crianças”. A educadora também diz que as formas para se transmitir no presencial são fundamentalmente opostas ao virtual. Além disso, destacando que essa é uma estratégia emergencial, um forma de fazer com que as crianças não percam o vínculo com a escola, com as professoras e amigos, condição fundamental para o estímulo às aprendizagens.

Frente às mudanças, após uma das primeiras interações virtuais, uma família relata que a filha de 4 anos chora ao se deitar, pedindo para voltar à escola, pois quer brincar com os amigos e está com saudade das professoras, e questionando o porquê da demora em voltar. Então, vem o silencio da mãe, que a acolhe em seus braços e permite que ela chore, pois isso é aprendizagem para ambas. Katia diz que outros relatos de famílias dão conta de que algumas crianças se negam a participar dos momentos de interação virtual. “Nosso conselho é não insistir”. A educadora envia um vídeo especifico para esta criança, que reage de outra forma: pedindo para a mãe gravar um vídeo para a professora também. Outras crianças alegam que querem fazer o momento de interação virtual sozinhas com a professora, pois, quando estão todos os colegas, não há muito tempo para falar, e elas gostariam de falar mais.

“As experiências têm sido diversas, abrangendo as três dimensões de aprendizagem (socioemocional, cognitiva e espiritual religiosa) que concebemos enquanto escola. É possível ver o quanto esses componentes têm dialogado na vida de nossas crianças, famílias e educadores”, relata a Orientadora Katia. Além disso, ela frisa que, neste momento, é um dever que se assegure, com absoluta prioridade, às crianças, a efetivação de seus direitos, conforme rege o Estatuto da Criança e a Lei de Diretrizes e bases 9394/96. “O momento tem nos convidado a viver as mais diversas e inusitadas experiências, por isso, VIVAM, experienciem cada momento de forma intensa e com tempo de qualidade, acolham suas crianças, resgatem a criança que mora dentro de vocês (pais), estejam disponíveis, dentro de uma nova organização familiar que o momento impõem. Esse tempo em família contribui para o repertório de vivências, experiências e aprendizagens, não só de nossas crianças, mas também de VOCÊS: PAIS E MÃES”, alerta.

Finalmente, diante de uma oportunidade de formação integral significativa, e pelo resgate do MAGIS inaciano, palavra e conceito conhecido pelos estudantes do Colégio Medianeira, que com certeza têm muito a nos ensinar sobre ele, garantimos que, no retorno, haverá muitas histórias a se contar.