O Colégio Medianeira foi convidado a participar da Casa Cor Paraná, evento de arquitetura que terminou no dia 13/7. E a instiuição estava numa sala idealizada pela arquiteta responsável (Francis Meister) que se chamava “A escola do futuro”. Nessa sala, cada carteira tinha um monitor e o quadro negro foi substiuído por uma dessas lousas interativas.

Pois bem. Ao caminhar aqui pelas ruas de Manhatan, visitei a Loja da Sony, de cuja vitrine tirei uma foto. Ei-la aí embaixo:

A vitrine da Sony anuncia uma admirável nova escola (“a brave new school”), numa referência ao clássico “Brave new world” (“Admirável mundo novo”), do escritor Aldous Huxley.

Como se pode ver, há uma lista de necessidades da nova escola (“New School Necessities”), com uma série de produtos eletrônicos. Os livros de papel ficam ao fundo, servindo de cenário para os e-books (testei um! É bem legalzinho) e notebooks.

Olha, mas acho que o pessoal que elaborou a vitrine não leu o livro ao qual faz referência – Admirável mundo novo. Ou fez que não leu, já que esse clássico da literatura mundial não é exatamente uma apologia ao futuro (aliás, o personagem mais puro do romance é justamente o que menos tem acesso aos “milagres” da tecnologia). O livro fala de uma sociedade altamente uniforme e homogeneizada, que se diferencia em castas por meio de manipulação genética, impedindo o livre pensar e a emancipação individual e coletiva. A vitrine parece ser uma ironia inconsciente dela mesma.

Não sou contra o uso destas mídias mais recentes (muito ao contrário, aliás), mas é que parece às vezes que isso chegou pra resolver todos os problemas da educação, num tom salvacionista e redentor da humanidade. Se a gente continuar tendo professores com a mesma cabeça conteudista (termo usado por nós para designar professores preocupados apenas em transmitir e “vencer” os conteúdos dispostos em grades cartesianas), nada vai mudar, a não ser a constatação de que o Google faz isso muito mais bem feito. Nos moldes tradicionais, o Google é o melhor professor do mundo!

Enfim, continuo achando essas inovações muito bacanas, mas a “inovação mais inovadora” que poderia acontecer ainda rasteja a passos de tartaruga: se a tecnologia ajuda a conectar, é ainda preciso que o elemento humano (o educador, por exemplo) possa ir além da conexão, atingindo uma inter, multi, pluri, transconexão com as coisas do mundo, da vida. Informação é uma coisa essencial, e o professor Google e afins ajudam muito, mas a tessitura do conhecimento… ah, aí não tem computador que dê jeito.

Bem, a gente ainda poderia falar sobre muitas escolas pelo mundo (e no Brasil, inclusive) que usam carvão pra escrever numa parede, com crianças sentadas no chão usando o toquinho de um lápis… mas aí esse post iria ficar muito grande, né? Além do que esse assunto também mereceria um texto exclusivo.

Pra terminar, minha proposta é a seguinte: vamos pegar a lista de necessidades da nova escola, no canto superior esquerdo da vitrine (New school necessities) e complementá-la. Que tal? Vai escrevendo nos comentário quais seriam outras necessidades para que a escola se renovasse:

A vitrine sugere:

Notebook, gravador de voz, câmera fotográfica etc.

E você? O que sugere?

Aquele abraço.

Cezar Tridapalli