11.12.17

Matheus Cedric: o espírito da educação

O educador tem um importante trabalho de desenvolvimento espiritual com os estudantes.

[fusion_builder_container hundred_percent=”yes” overflow=”visible”][fusion_builder_row][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”] Matheus: “a educação é uma força determinante na construção do mundo que queremos”. Foto: Paulinha Kozlowski.

Por Jonatan Silva

Matheus Cedric Godinho está no Medianeira desde 2015 e, desde sua chegada, tem trabalhado a espiritualidade com os estudantes do Ensino Médio e dos 8º e 9º

 anos. O educador, que se destaca pelo companheirismo e amizade com as turmas, é um exemplo de excelência humana e acadêmica, formando jovens capazes de olhar o mundo de uma maneira mais fraterna.

Em 2017, Matheus introduziu com as turmas dos 8º anos minutos de meditação – algo inédito nos 60 anos do Colégio Medianeira.

Para conhecer mais sobre a trajetória do educador, leia a entrevista abaixo.

Para começarmos: como você chegou ao Medianeira?
Bem, meu caminho não foi tão óbvio. Na verdade, cheguei ao Medianeira por meio de amigos da faculdade que estudaram aqui. Quando eu ainda fazia minha graduação conheci através da Pastoral Universitária esse pessoal que foi estudante do Medianeira e que mantinha um vínculo com a escola através da Comunidades de Vida Cristã (CVX). Esses amigos sempre me convidavam para um retiro que a CVX realizava na chácara do Colégio, o Escalada. Depois de muitas negativas, aceitei o convite e fiz o retiro em junho de 2015.

A atividade era sem pretensão profissional, mas o P. Ponciano, que trabalhava no Serviço de Orientação Religiosa e Pastoral (SOREP) do Ensino Médio estava lá e conversamos bastante. Cerca de um mês depois fui procurado novamente pela CVX, mas dessa vez me perguntando se eu me interessaria em trabalhar como catequista do Crisma no Colégio. O P. Ponciano me ligou, pediu meu currículo e no final das contas, em agosto daquele mesmo ano, eu fui contratado como professor do Ensino Médio, designado para o trabalho com o Crisma.

Você é formado em Filosofia e leciona a disciplina de Ensino Religioso, que dialoga muito com esta área. Levando em consideração a atual dinâmica da sociedade, quais são os desafios de ensinar Filosofia aos jovens?
O estudo da filosofia é sempre desafiador, em qualquer época ou contexto social. Isso porque o filósofo é o sujeito crítico, investigativo, que desconstrói padrões de comportamento e “revira” internamente critérios morais, políticos e de percepção que para muitos sempre foram simples, claros e aceitos. Nesse sentido, a filosofia é provocativa e nos mobiliza à uma autocrítica profunda; o fato é que nem sempre estamos abertos a realizar esse processo. Ele nunca é totalmente confortável.
Para além dessa característica própria da disciplina, acredito que a agitação e ansiedade dos nossos dias impõe um desafio ao ensino da Filosofia e das humanidades como um todo.  O pensador precisa ser contemplativo, paciente, atento… pensar e discernir exigem tempo e concentração; e essas são habilidades que temos perdido com o ritmo frenético que todos temos hoje em dia.

A sua relação de amizade com as turmas é extremamente perceptível. Os estudantes têm muito carinho por você. Como esse relacionamento ajuda na aprendizagem da Filosofia?
Minha relação com meus estudantes é a base de todo o meu trabalho. Diria mais: é o sentido da minha vida enquanto professor. Desde que comecei a dar aula sempre entendi que a nobreza da minha profissão, antes do processo de “ensino-aprendizagem”, estava na relação como pressuposto para qualquer experiência que se queira significativa na vida de alguém. Eu sou muito feliz porque trabalho com pessoas. Há profissões muito técnicas, em que o elemento humano é quase que periférico no resultado final. Elas também são importantes, mas eu não conseguiria. Gosto de trabalhar com gente. E acho que, dentre as faixas etárias, as crianças e os jovens são o “tipo de gente” que mais me agrada. Eles têm vida, ânimo, sonhos, graça! Tudo isso torna nossos momentos juntos muito legais. Por isso, eu aprendo com eles e eles comigo, porque no final das contas os maiores aprendizados que nós temos, aqueles que nos formam enquanto seres humanos, foram construídos nas nossas relações afetivas mais intensas. Para mim quando não há afeto, não há educação; pode acontecer um outro processo: a instrução. Essa sim é meramente técnica, pragmática. Mas para se instruir basta ler uma bula de remédio, um artigo no Google ou um manual. Dispensa-se o professor, a relação. Educar é maior: é humano; e humanos sentem, se relacionam e se afetam mutuamente. Por isso somos amigos, eu e meus alunos. Na verdade, é natural que seja assim, não acha?
A esperança é um dom pros nossos tempos. E ela não é ingênua, iludida! Ter esperança significa ser forte e lúcido o suficiente para saber que o mal só triunfa, quando o bem se ausenta. 
Nas aulas de Ensino Religioso você ensina também técnicas de meditação. Como teve início o seu contato com a meditação?
Eu passei a me interessar por questões ligadas à espiritualidade na minha adolescência. Frequentei grupos de jovem, as pastorais católicas e conheci muitos movimentos do cristianismo em geral. Quando me tornei universitário, comecei a buscar através de leituras e estudos o conhecimento de outras linhas de espiritualidade que não fossem necessariamente aquelas ligadas à minha identidade cristã. E surpreendentemente, acabei descobrindo que a meditação era uma prática comum a várias religiões, inclusive no próprio cristianismo. Isso foi muito bacana por que de certa forma, lendo os budistas e hindus percebi o quanto minha religião também tinha sua forma de prática meditativa. A espiritualidade inaciana, vivida pelos jesuítas, foi onde me encontrei melhor e assim tornei a meditação uma prática pra mim.

Como a meditação pode ensinar os jovens a buscar um caminho de paz consigo e com os demais? E como a meditação se liga aos ensinamentos de Santo Inácio?
Santo Inácio encontrou a paz consigo mesmo através da meditação. Quando ele se retira para realizar seus famosos Exercícios Espirituais é que ele consegue elaborar toda sua história até aquele momento e tem clareza de qual projeto de vida ele é chamado a seguir. A oração meditativa foi justamente o ponto de virada de toda vida de Inácio. É isso que buscamos também em sala de aula.

A meditação resgata uma dimensão importantíssima para a felicidade e para a construção da paz: o cuidado de si. Sócrates gostava muito de uma frase que ficava em um pórtico de Atenas: “conhece-te a ti mesmo”. Ora, conhecer a si mesmo exige um intenso e contínuo “cuidado”, no sentido mais terno da palavra. Se não estamos em paz conosco, com nossa história, nossas dores pessoais, qualidades e projetos de vida, como vamos construir relações saudáveis e harmônicas com os outros? Como vamos cuidar dos outros? A meditação é, portanto, este ponto de encontro: eu me coloco diante de mim mesmo, mas sem nunca desconsiderar que este “eu” se constrói e plenifica na relação com o outro. Quando meditamos somos todos um!

[/fusion_builder_column][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”] “A meditação resgata uma dimensão importantíssima para a felicidade e para a construção da paz: o cuidado de si”, afirma o educador. Foto: Paulinha Kozlowski.

Sei que você tem interesse por novas alternativas para a educação. Como você pensa ser possível mudar a educação? Que caminhos precisam ser trilhados?
Educar, como eu disse, não é apenas transmitir conteúdo, instruir, informar. É também, claro! Mas todo o conteúdo que se transmite será utilizado para a construção (ou desconstrução) de uma realidade humana e humanos não pensam apenas, eles sentem, convivem, buscam sentido. Por isso acredito que a escola deve ser um espaço que valorize significativamente as artes, o trato das emoções, o diálogo democrático, a luta por igualdade e justiça social.

A educação é uma força determinante na construção do mundo que queremos, por isso, ela é também frequentemente instrumentalizada por grupos de interesse econômico, político, etc. Assim, infelizmente temos ainda muitas escolas que não servem para transformar a realidade, mas simplesmente para reproduzi-la, mantê-la da forma como desejam os que lucram com a injustiça e o autoritarismo. É preciso, por isso, que a escola seja sempre corajosa e assuma seu potencial e responsabilidade pela transformação.

Em um presente de distopia, como o jovem pode ter um propósito de utopia?
Mantendo a esperança. Se temos esperança caminhamos, porque sabemos que é possível melhorar, fazer diferente. Se nos roubam a esperança, de que vale todo o esforço? Todo estudo? As horas dedicadas às pesquisas, leituras e trabalhos? A esperança é um dom pros nossos tempos. E ela não é ingênua, iludida! Ter esperança significa ser forte e lúcido o suficiente para saber que o mal só triunfa, quando o bem se ausenta.
A educação é uma força determinante na construção do mundo que queremos, por isso, ela é também frequentemente instrumentalizada por grupos de interesse econômico, político, etc.
Que momento marcante de sua trajetória no Medianeira você poderia compartilhar conosco?
Embora esteja há pouco tempo na escola, já coleciono uma porção de boas memórias. Coincidentemente ou não, quase todas aconteceram na chácara. Destaco duas: a primeira foi a meditação que fizemos no alto do [/fusion_builder_column][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][morro do] Bruninho no acampamento do oitavo ano. Subimos o morro à noite e mesmo eufóricos com a atividade, quando chegamos ao topo, sentamos e meditamos. Foi um momento muito forte de união entre nós e a natureza. Outra boa lembrança também ocorreu numa noite na chácara; Em um dos retiros de Crisma fizemos um luau, eu e os monitores. Fomos para o campo de futebol com nossos colchonetes e cobertores e ficamos todos bem juntinhos, pois estava meio frio. O Sebastian (estudante do Terceirão deste ano) tocou violão e nós cantamos, enquanto apreciávamos o céu. Eu vi uma estrela cadente aquele dia e consegui fazer um pedido: que enquanto eu fosse professor, pudesse viver sempre momentos como aquele.

Houve alguma situação engraçada que você gostaria de contar?
Nossa, várias! Haha Eu não sou muito protocolar e isso às vezes me coloca em situações inusitadas. No final do ano passado, por exemplo, fizemos a clássica confraternização de fim de ano com um dos 8º anos e, papo vai, papo vem, pedi que os estudantes me ensinassem o “passinho do romano”, que é uma dança bem engraçada que se faz no funk. Justo na hora em que eu estava “em treinamento” uma das educadoras responsáveis pela limpeza entrou na sala e presenciou toda minha desenvoltura como MC! Caímos na risada e até ela dançou um pouquinho. Se divertir faz parte…

Para finalizarmos, você pode indicar um disco, um livro e um filme?
Um dos meus discos favoritos é o Clube da Esquina de Milton Nascimento e Lô Borges. Como livro, O Lobo da Estepe de Herman Hesse e filme o clássico Cinema Paradiso de Giuseppe Tornatore.

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