09.09.26

4º Simpósio de Práticas Inovadoras coloca a Educação Infantil em foco

Com o tema “Traços, vozes e experiências”, evento reúne educadores nos dias 16 e 17 de outubro para momentos de formação, diálogo, experimentação e partilha

4º Simpósio de Práticas Inovadoras coloca a Educação Infantil em foco

Nos dias 16 e 17 de outubro, o Colégio Medianeira realiza a quarta edição do Simpósio de Práticas Inovadoras, encontro formativo que, neste ano, volta o olhar para a Educação Infantil como um campo de inspiração para os diferentes segmentos da Educação Básica.

Com o tema “Traços, vozes e experiências: a Educação Infantil em foco”, o evento convida os educadores a observar aquilo que emerge do cotidiano da infância e a refletir sobre como seus princípios e práticas podem ampliar as possibilidades de ensinar e aprender.

No título escolhido para esta edição, cada palavra ajuda a traduzir essa proposta. Os traços representam as múltiplas maneiras pelas quais as crianças expressam pensamentos, sentimentos e descobertas. As vozes evidenciam a importância da participação, da escuta e do direito de construir sentidos. Já as experiências compreendem a aprendizagem como um percurso vivo, que envolve as diferentes dimensões da formação da pessoa.

Esse olhar dialoga com a abordagem de Reggio Emilia, com o Paradigma Pedagógico Inaciano e com as metodologias ativas presentes no cotidiano da Educação Infantil do Colégio Medianeira. Ao aproximar essas referências, o Simpósio propõe uma reflexão que ultrapassa esse segmento e pode contribuir para a ressignificação de práticas em diferentes contextos educativos, em sintonia com o compromisso da educação jesuíta com a formação integral.

Programação do 4º Simpósio de Práticas Inovadoras

A abertura do Simpósio será realizada na sexta-feira (16/10), às 18h30, com uma palestra de Stela Barbieri, artista, autora, educadora e contadora de histórias. Em sua fala, Stela convida os participantes a compreender o desenho como uma linguagem expandida, investigativa e transdisciplinar, que se constrói a partir da observação, do movimento e da experiência.

No sábado (17/10), das 7h30 às 12h, a programação será dedicada às Práticas & Ateliês. Os participantes serão convidados a vivenciar propostas construídas a partir de percursos investigativos desenvolvidos na Educação Infantil, experimentando diferentes linguagens, materiais e possibilidades de criação e aprendizagem.

Confira as experiências:

Sementes: um percurso investigativo sobre natureza e ancestralidade

Educadoras: Fabíola Jéssica Godoy Pereira, Mayara Regina Stockler Pizzatto e Patrícia Cechet Hassunuma

Sobre a experiência: este ateliê propõe uma vivência investigativa tendo as sementes como elemento disparador para experiências que articulam natureza, ciência, arte e cultura.

A partir da observação das sementes presentes na alimentação e das sementes encontradas nos espaços da escola, os participantes serão convidados a investigar, observar, catalogar, criar e refletir sobre os ciclos da vida, as relações entre biodiversidade, alimentação, ancestralidade e memória cultural.

A proposta compreende o ateliê como um espaço de pesquisa, experimentação e documentação pedagógica, valorizando a curiosidade, o pensamento investigativo e a construção coletiva de conhecimentos.

O que os participantes irão vivenciar: os participantes irão experimentar diferentes possibilidades de investigação com sementes e materiais naturais, refletindo sobre como criar contextos de aprendizagem nos quais as crianças possam observar, levantar hipóteses, estabelecer relações e construir sentidos sobre o mundo natural.

Quando a literatura escapa das páginas e passa a habitar o corpo, o espaço e os sentidos

Educadoras: Camila da Silva Virgilio, Jéssica Lançone e Marcele Martins

Sobre a experiência: inspirado no livro De que cor é o vento?, de Anne Herbauts, este ateliê propõe uma experiência literária que ultrapassa o texto escrito e se amplia para o corpo, o espaço e os sentidos.
A narrativa, apresentada pela perspectiva do Gigantinho, um menino com deficiência visual que percebe o mundo por meio das mãos, provoca uma reflexão sobre diferentes formas de sentir, imaginar e interpretar a realidade.

A partir da pergunta “De que cor é o vento?”, a experiência articula literatura, corporeidade e movimento, compreendendo a leitura como um ato vivido pelo corpo inteiro. A textura da página transforma-se em gesto; o vento transforma-se em deslocamento; o silêncio transforma-se em pausa e presença.
A proposta dialoga com os princípios do Projeto de Vida (PV), do Currículo Bilíngue Integrado (BI) e do Trabalho de Pesquisa (TP), valorizando escuta, autoria, sensibilidade e construção coletiva de sentidos.

O que os participantes irão vivenciar: os participantes serão convidados a experimentar a literatura por meio de diferentes linguagens, explorando como histórias podem gerar movimentos, sensações, narrativas corporais e novas possibilidades de mediação pedagógica.

Diferentes ritmos, múltiplas possibilidades: inclusão nos contextos lógico-matemáticos

Educadoras: Aline Luize dos Anjos Deunisio e Allicia Novack Dal Lin

Sobre a experiência: Este ateliê propõe uma reflexão sobre como os contextos lógico-matemáticos podem ser organizados para acolher diferentes formas de participação, ritmos e potencialidades das crianças.

Inspirada em experiências desenvolvidas com pequenos grupos na Educação Infantil, a proposta evidencia que a inclusão acontece quando o professor observa, escuta e reorganiza os caminhos de aprendizagem, considerando as singularidades de cada criança.

A vivência aborda possibilidades de adaptação metodológica, flexibilização curricular e enriquecimento das propostas, compreendendo os pequenos grupos como espaços potentes de mediação, interação e ampliação das aprendizagens.

O que os participantes irão vivenciar: os participantes irão experimentar diferentes materiais e estratégias lógico-matemáticas, refletindo sobre como uma mesma proposta pode ser ampliada, reorganizada ou adaptada para favorecer a participação de todas as crianças.

Culinária na Educação Infantil: um ingrediente para múltiplas aprendizagens

Educadoras: Brunna Hyara e Bruna Kovalik

Sobre a experiência: E se a cozinha pudesse se transformar em um verdadeiro laboratório de descobertas?

Este ateliê apresenta a culinária como uma linguagem pedagógica potente para promover experiências significativas na Educação Infantil.

Ao cozinhar, as crianças investigam, observam transformações, levantam hipóteses, realizam escolhas, estabelecem relações, desenvolvem autonomia e constroem conhecimentos de forma contextualizada.

Mais do que preparar receitas, a proposta compreende a culinária como um território de investigação, no qual diferentes campos de experiência se encontram: matemática, linguagem, ciência, cultura, relações sociais e cuidado.

O que os participantes irão vivenciar: os participantes serão convidados a experimentar possibilidades de utilização da culinária como contexto investigativo, refletindo sobre como situações cotidianas podem se transformar em experiências de aprendizagem, participação e protagonismo infantil.

Magis em ação: espiritualidade e intencionalidade pedagógica

Educadoras: Ana Paula Correia e Gabriele Edite Ribeiro

Sobre a experiência: este ateliê propõe uma reflexão sobre o Magis, princípio da Pedagogia Inaciana que inspira a busca constante pelo “mais”: mais profundidade, mais cuidado, mais compromisso e maior disponibilidade para o serviço ao outro.

A partir da partilha de experiências e da construção coletiva, a proposta convida os participantes a refletirem sobre como a dimensão espiritual-religiosa pode estar integrada ao cotidiano escolar de forma significativa, conectada às relações, às escolhas pedagógicas e aos processos formativos das crianças.

O ateliê parte da compreensão de que a espiritualidade, na perspectiva inaciana, não se constitui como uma ação isolada, mas como uma dimensão que atravessa o modo de olhar, cuidar, educar e estabelecer relações, fortalecendo a formação integral.

O que os participantes irão vivenciar: os participantes serão convidados a revisitar suas práticas educativas, identificando possibilidades de integrar espiritualidade, intencionalidade pedagógica e cuidado com a pessoa, refletindo sobre como pequenos gestos e experiências cotidianas podem revelar valores e aprendizagens significativas.

Onde o corpo sente, brinca e expressa, a aprendizagem acontece

Educador: Junior Obata

Sobre a experiência: este ateliê convida os participantes a vivenciarem a linguagem dramática como um território de investigação, criação e produção de conhecimento.

Mais do que aprender técnicas teatrais, a proposta busca experimentar como a expressão dramática, o corpo e o brincar podem constituir contextos potentes de aprendizagem, favorecendo a imaginação, a autoria, a interação e a construção de narrativas.

A experiência inicia-se com jogos dramáticos e propostas corporais que convidam os participantes a perceberem o corpo como espaço de presença, comunicação e criação.

Em seguida, amplia-se o olhar para a organização dos ambientes, explorando o conceito de curadoria do espaço e como materiais, objetos e atmosferas podem provocar encontros, narrativas e investigações.

A proposta se encerra com a construção de possibilidades práticas a partir da Tríade da Experiência Dramática, articulando vivência, reflexão e criação pedagógica.

O que os participantes irão vivenciar: os participantes experimentarão jogos corporais, investigações dramáticas e processos de criação de contextos pedagógicos, refletindo sobre como corpo, espaço e imaginação podem ampliar as experiências de aprendizagem na Educação Infantil.

Alquimia da pele: identidade, cores e medidas

Educadoras: Ana Paula Timoteo da Rocha Valiente Gomes, Larissa Alves Veiga e Micherlane Oliveira Martins

Sobre a experiência: este ateliê propõe uma investigação sobre identidade, diversidade e representação a partir da produção de diferentes tonalidades de pele.

Por meio da combinação de cores primárias e da exploração de diferentes instrumentos de medir, como conta-gotas, seringas, pipetas, colheres medidoras e balanças, os participantes vivenciarão um processo que articula Arte, Matemática, Ciências e construção de identidade.

A proposta compreende a mistura de cores como uma investigação estética e científica, possibilitando observar proporções, comparar resultados, registrar processos e refletir sobre a diversidade presente nos diferentes tons que compõem a humanidade.

O que os participantes irão vivenciar: os participantes serão convidados a experimentar processos de criação de tonalidades, explorando registros, escalas, medidas e diferentes formas de documentação da investigação.

A experiência possibilita refletir sobre como propostas artísticas e investigativas podem ampliar discussões sobre identidade, pertencimento e diversidade desde a infância.

Garden Lab: do olhar ao cultivo

Educadoras: Anne Louise Leal Alonso e Rayssa Soares Silveira

Sobre a experiência: Este Prática & Ateliê bilíngue convida os participantes a observar, investigar e criar a partir das relações presentes na natureza. A proposta articula ciência, sensorialidade, linguagem e criação, ampliando o olhar para aquilo que muitas vezes permanece invisível ou pouco percebido no cotidiano.

Organizada em três estações investigativas, a experiência possibilita explorar diferentes elementos e relações que constituem um ecossistema: a observação do solo e de seus componentes por meio do microscópio; a investigação de musgos e fitônias; e a criação de um mini garden, no qual cada elemento escolhido passa a ocupar um lugar físico e simbólico.

O que os participantes irão vivenciar: os participantes serão convidados a observar, comparar, formular hipóteses, estabelecer relações e refletir sobre as interações entre solo, água, luz, plantas e pequenos organismos. A experiência valoriza a curiosidade como ponto de partida para a investigação e compreende o ambiente como um território vivo de aprendizagem.

Ao longo da experiência, registrarão suas descobertas no Garden Journal, utilizando desenhos, palavras, hipóteses, observações e outros registros que expressem o percurso investigativo.

O registro será construído de forma bilíngue, tornando visíveis não apenas os conhecimentos produzidos, mas também os processos de observação, descoberta e elaboração vivenciados pelo grupo.

Gramática da linha: gesto, matéria e superfície

Educadora: Mariana Vargas

Sobre a experiência: Este ateliê parte da compreensão da linha como uma linguagem que ultrapassa o desenho gráfico e se constitui como gesto, movimento, vestígio e forma de pensamento.

A proposta convida os participantes a investigar a gramática da linha, explorando seu potencial expressivo em diferentes materialidades e superfícies.

A linha deixa de ser compreendida apenas como resultado visual e passa a ser percebida como uma relação entre corpo, matéria e espaço. A experiência será organizada em pequenos núcleos investigativos dentro de um grande ateliê:

A linha no gráfico: Experimentações com desenhos, marcas, ritmos, repetições, intensidades e composições sobre diferentes superfícies. A linha efêmera: Investigações com linhas produzidas por movimentos, fios, sombras, água, areia, fitas e outros materiais transitórios, valorizando o processo e a temporalidade do gesto.

A linha na argila: Exploração da linha como inscrição, relevo, sulco e memória material, investigando a relação entre gesto, resistência e transformação da matéria.

O que os participantes irão vivenciar: ao circular pelos diferentes núcleos, os participantes serão convidados a perceber como a linha se transforma conforme o material, o instrumento e o movimento realizado, compreendendo-a como uma linguagem capaz de comunicar ideias, sensações e modos de conhecer o mundo.

Tramas, entrelaçamentos e outras formas de pensar com as mãos

Educadoras: Anna Grisolia, Vanessa Benato e Larissa Ribeiro

Sobre a experiência: este ateliê propõe uma investigação sobre o fio, a linha, a trama e o entrelaçamento como linguagens capazes de organizar pensamentos, gestos e relações.

Fios, tecidos, linhas, lãs, cordões e outros materiais serão explorados por meio de diferentes possibilidades de criação — tramas, tecelagens, costuras, nós e outras manualidades — não como reprodução de modelos previamente estabelecidos, mas como processos de investigação, descoberta e autoria.

Inspirada na metáfora do fio de Ariadne, a experiência compreende o fio como aquilo que atravessa, conecta, conduz e dá forma ao percurso. Ao tecer, desfazer, entrelaçar e transformar, os participantes poderão perceber como ações aparentemente simples mobilizam processos complexos de atenção, planejamento, sequência, escolha e criação.

O ateliê reconhece as materialidades e o fazer manual como linguagens de pensamento, compreendendo que as mãos também investigam, elaboram hipóteses e constroem conhecimentos.

O que os participantes irão vivenciar: os participantes serão convidados a experimentar diferentes materiais e possibilidades de entrelaçamento, refletindo sobre como propostas envolvendo fios, linhas e tramas podem favorecer experiências de concentração, criatividade, expressão e construção de sentidos com as crianças.

Som, símbolo e corpo: escuta, percussão corporal e musicogramas na Educação Infantil

Educadoras: Mariana Valentin e Rachel Ramos

Sobre a experiência:
este ateliê propõe uma vivência da música como linguagem de expressão, comunicação e investigação na Educação Infantil.

A musicalização é compreendida para além da reprodução de canções ou do desenvolvimento de habilidades musicais específicas, constituindo-se como um espaço de escuta, criação, experimentação sonora e interação.

Por meio dos sons, ritmos, silêncios, movimentos e diferentes possibilidades de exploração musical, as crianças encontram caminhos para expressar sentimentos, construir narrativas e estabelecer relações com o mundo.

A proposta valoriza a escuta sensível e a participação ativa, reconhecendo a criança como compositora de experiências sonoras e protagonista dos processos de criação.

O que os participantes irão vivenciar: os participantes serão convidados a explorar sons, ritmos, objetos sonoros e possibilidades corporais, refletindo sobre como a música pode constituir contextos investigativos, sensíveis e potentes no cotidiano da Educação Infantil.

O corpo do desenho na relação com o mundo

Educadora responsável: Stela Barbieri

Sobre a experiência: neste ateliê, Stela Barbieri convida os participantes a experimentar o desenho como uma linguagem de investigação, presença e criação.

A proposta parte da compreensão de que desenhar não é apenas produzir uma imagem, mas estabelecer relações entre corpo, olhar, gesto, matéria e mundo.

Por meio das múltiplas possibilidades da linguagem do desenho, os educadores serão convidados a vivenciar o estado de ateliê, explorando diferentes materiais, superfícies, instrumentos e gestos como caminhos para observar, imaginar e criar.

A experiência amplia a compreensão do desenho como processo e não apenas como produto final, reconhecendo sua potência como forma de pensamento, expressão e construção de conhecimento.
Os participantes serão convidados a experimentar propostas de desenho como práticas de observação, presença e invenção, explorando diferentes possibilidades de relação com os materiais e com os espaços.

A experiência contemplará momentos de partilha e reflexão sobre os processos vividos, reconhecendo a documentação pedagógica como instrumento de escuta, interpretação e construção de conhecimento sobre as experiências educativas.

Ao vivenciar o desenho em sua dimensão sensível, investigativa e relacional, o ateliê provoca os educadores a ampliar seus olhares sobre essa linguagem na infância e sobre as possibilidades de criar contextos mais potentes de expressão e aprendizagem.

Tantos papéis para o papel

Educadora responsável: Silvia Pandini

Sobre a experiência: este ateliê convida os participantes a investigar o papel como uma materialidade potente, capaz de revelar diferentes possibilidades de criação, experimentação e construção de conhecimento.

Ao explorar suas texturas, formatos, densidades, transparências e transformações, a proposta amplia o olhar para esse material tão presente no cotidiano escolar, questionando seus usos habituais e descobrindo novas formas de interação.

Por meio de ferramentas como lanternas e recursos digitais, como o microscópio, os participantes serão convidados a observar o papel por diferentes perspectivas, percebendo detalhes, estruturas e características que muitas vezes permanecem invisíveis no cotidiano.

A experiência dialoga com a perspectiva dos materiais não estruturados e com a compreensão de que as materialidades possuem potencial investigativo, convidando crianças e educadores a estabelecerem relações, formularem perguntas e criarem novas possibilidades de expressão.

Os participantes irão experimentar diferentes modos de explorar o papel, investigando suas características e possibilidades expressivas, além de refletir sobre como materiais simples podem se transformar em potentes disparadores de experiências, encontros e aprendizagens.

Cada traço comunica uma descoberta;
cada voz revela uma forma de compreender o mundo;
cada experiência possibilita novos modos de aprender e ensinar.

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