04.09.26

Aulas de campo ampliam experiências de aprendizagem para além do Colégio Medianeira

Atividades dos Núcleos de Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas conectaram os conhecimentos desenvolvidos em sala de aula a experiências em Curitiba, São Paulo, Foz do Iguaçu e Guaraqueçaba

Aulas de campo ampliam experiências de aprendizagem para além do Colégio Medianeira

A aprendizagem também acontece quando os estudantes deixam a sala de aula para observar, experimentar, investigar e estabelecer novas relações com os conhecimentos construídos no Colégio. No Medianeira, as aulas de campo integram a proposta pedagógica e possibilitam que diferentes temas ganhem novos sentidos a partir do contato direto com outros espaços, realidades e experiências.

Em agosto, estudantes do 8º e 9º anos participaram de diferentes aulas de campo promovidas pelos Núcleos de Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. Os percursos passaram por Curitiba e outras regiões do Paraná, como Foz do Iguaçu e Guaraqueçaba, além da cidade de São Paulo, e envolveram experiências relacionadas à arte, ao audiovisual, à relação com as tecnologias, aos movimentos migratórios, à biodiversidade e ao cuidado com a Casa Comum.

Mais do que visitas a diferentes espaços, as propostas foram planejadas como parte dos percursos de aprendizagem desenvolvidos ao longo do ano. Museus, parques, reservas naturais, instituições culturais e outros ambientes se tornaram espaços de investigação, convivência e reflexão, aproximando os conhecimentos trabalhados no Colégio de questões presentes na sociedade e no mundo.

A seguir, os educadores responsáveis pelas aulas de campo compartilham os objetivos e as experiências que marcaram cada um desses percursos.

Aula de Campo – Linguagens – 8º ano | Professora Suzana Kawai

A aula de campo de Linguagens foi concebida como um experimento social: 24 horas sem telas e análise de como corpo e mente reagiriam a isso. 

Na manhã do dia 07 de agosto, os estudantes participaram da cerimônia de entrega dos celulares e partiram para o Parque São Lourenço. Este espaço proporcionou o contato com a natureza e três oficinas: escultura em argila, oferecida pelo Memorial Paranista; aula de pilates, com a profª. Camila de Armas e uma corrida de carrinho de rolimãs, previamente construídos pelos alunos sob orientação do educador Marcelo Weber. No período da tarde, durante uma hora, simplesmente brincamos em trampolins, no Impulso Park. 

Tais atividades tiveram o intuito de proporcionar a prática de artes e manualidades, reflexões sobre alterações posturais ocasionadas pelo excesso de tempo no celular e a vivência do brincar. 

No período noturno, os estudantes se reuniram em torno do fogo para socializar e também para participar da inventura literária promovida pela Fora do Quadrado: enigmas inspirados em Edgar Allan Poe. 

A experiência terminou no restaurante da escola, onde pais e filhos se reuniram para conversar sobre as últimas horas. Nesse momento, os celulares dos adultos também foram desligados e mantidos fora de alcance, para que a refeição transcorresse em atenção plena para as pessoas envolvidas. 

No final do período, os estudantes reouveram seus aparelhos, mas já com outra consciência em relação às possibilidades que se abrem para além das telas. Mais detalhes sobre esse experimento serão divulgados na Feira do Conhecimento. 

A seguir, incluo o relato de dois alunos sobre a aula de campo.

Relato do Miguel (8ºA)

A aula de campo do Núcleo de Linguagens do 8º ano teve como objetivo central fazer com que os estudantes percebessem que a vida não deve estar concentrada apenas nas redes sociais, mas que ela pode ser ainda mais divertida sem os celulares.

A dinâmica da aula funcionou da seguinte forma: os alunos entregaram seus aparelhos no início da manhã e ficaram aproximadamente 24 horas sem eles. Durante esse dia, houve diversas atividades intensas: carrinho de rolimã na manhã, parque de camas elásticas à tarde, entre outros.

Aproximadamente às 16 horas, os estudantes retornaram às suas casas a fim de se prepararem para as atividades noturnas. Às 19h30, todos se reuniram em torno de uma fogueira no Bosque Proibido e, dali, partiram para escape rooms promovidos pela Fora do Quadrado e inspirados nas mais famosas obras de Edgar Allan Poe. Resolvendo os enigmas ou conversando à beira do fogo, os alunos puderam se conectar a colegas com quem nem conversavam no dia a dia.

Na madrugada, os estudantes se organizaram para dormir e retornar a seus lares no dia seguinte.
Por fim, quando todos acordaram, reencontraram seus pais em um café da manhã realizado no Restaurante Nutritiba, onde puderam compartilhar as experiências vividas. Durante o café, os pais também tiveram que desligar seus celulares para entender um pequeno pedaço da vivência.

Relato da Olívia – (8ºB)

Na aula de campo de Linguagens, o objetivo e o desafio eram passar 24 horas sem o celular e outras telas. Para isso, tivemos diversas atividades para passar o tempo.
Na quinta-feira, um dia antes da aula de campo, já começamos nossa missão e, assim, com o nosso grupo, construímos um carrinho de rolimã.
Na sexta-feira, logo de manhã, recolheram nossos celulares para começarmos as atividades. O nosso primeiro destino foi o Parque São Lourenço, onde fizemos pilates, descemos uma pista de carrinho de rolimã e fizemos esculturas. Em seguida, almoçamos e fomos brincar novamente. Por um breve momento, voltamos para casa para arrumar nossas coisas. A partir do momento em que pisamos novamente na escola, não paramos de nos divertir, com escape rooms, fogueira, sustos etc. Essas atividades nos ensinaram como pode ser divertido soltar um pouco o celular, mas, além disso, criamos memórias incríveis e aprendemos mais sobre o controle do nosso corpo e mente, a brincar e a socializar.

Aula de Campo – Linguagens SP – 8º e 9º ano | Professora Bruna Maciel Ramos

A aula de campo de Linguagens teve como principal objetivo proporcionar experiências que sensibilizassem e ampliassem a percepção dos estudantes sobre o audiovisual, suas diferentes linguagens e sua relação com a cultura e a sociedade. Realizado nos dias 6 e 7 de agosto, o itinerário possibilitou aos estudantes conhecer a história do cinema e compreender a importância da preservação da memória audiovisual, a partir da visita à Cinemateca.

No Museu da Língua Portuguesa, tiveram contato com diferentes linguagens e meios de comunicação, explorando as relações entre língua, narrativa, memória e identidade. Na Pinacoteca e no MASP, entraram em contato com obras que abordam diferentes temáticas do mundo contemporâneo, ampliando seu repertório cultural e suas possibilidades de leitura das imagens. Também vivenciaram a experiência de conhecer um tradicional cinema de rua, no Espaço Petrobras, o qual ofereceu referências para o aprimoramento de suas próprias produções audiovisuais. No Pateo do Collegio, conheceram aspectos da formação histórica e cultural da sociedade, refletindo sobre a multiculturalidade e sobre os diferentes sujeitos e narrativas que constituem a cidade. 

Aula de Campo – Naturais – 9º ano | Professor Rafael Odorico Vieira

Os estudantes do 9º ano do Colégio Medianeira realizaram uma saída de campo à Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, com o objetivo de aprofundar os conceitos trabalhados no Trabalho de Pesquisa (TP) de Ciências da Natureza. 

Durante a visita, foram realizadas observações, registros e coletas em uma área preservada de Mata Atlântica. A experiência possibilitou aos estudantes comparar um ambiente conservado com regiões mais impactadas pela ação humana, compreendendo melhor a importância da preservação da biodiversidade e dos recursos naturais. 

A atividade contribuiu para relacionar os conhecimentos estudados em sala de aula com a realidade, tornando a pesquisa mais significativa e ampliando a compreensão dos estudantes sobre conservação ambiental. 

Aula de Campo – Naturais Foz – 8º ano | Professora Talge Boni

No Núcleo de Naturais, nossa temática central é o cuidado com a Casa Comum. No 8º ano, o trabalho parte de uma perspectiva mais local, tendo como foco a eutrofização do lago da escola e a reflexão sobre como nós, seres humanos, somos responsáveis pelas modificações no ambiente e pelas consequências que essas ações podem causar. 

Essa atividade é desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Paraná, por meio de pesquisadores envolvidos em projetos de extensão. Para ampliar esse olhar local, pensamos em levar os estudantes a ambientes que possibilitassem observar diferentes relações entre a natureza e a ação humana: um espaço preservado e outro significativamente transformado pela intervenção humana. 

Nesse contexto, a Usina de Itaipu e as Cataratas do Iguaçu surgiram como destinos especialmente significativos. A escolha foi também fortalecida pelo fato de Itaipu ser uma das financiadoras do projeto desenvolvido na escola. Assim, nasceu o nosso roteiro, que incluiu ainda o Parque das Aves e o Marco das Três Fronteiras. 

Ao longo de dois dias, os estudantes puderam ampliar seus conhecimentos sobre o ambiente e, ao mesmo tempo, desenvolver habilidades socioemocionais e espirituais, exercitando a convivência com os colegas, o cuidado uns com os outros e com a Casa Comum, a resolução de conflitos e a autonomia. 

Foi uma viagem inesquecível, marcada por muita alegria, convivência e aprendizagens significativas!

Aula de Campo – Humanas SP – 8º e 9º ano | Professor Anderson Akio Shishito

Como parte do trabalho de pesquisa de humanas, os estudantes do 8º e 9º ano realizaram um aula de campo para a cidade de São Paulo com o objetivo de compreender a dinâmica dos movimentos migratórios do passado e do presente, além de experienciar os sistemas de acolhimento oferecidos às pessoas migrantes e refugiadas na atualidade.

Durante a pesquisa de campo, os estudantes visitaram espaços como o Museu Afro Brasil, o Museu da Imigração do Estado de São Paulo e o Museu da Imigração Japonesa, buscando conhecer diferentes histórias, experiências e contribuições dos povos que chegaram ao nosso país e ajudaram a construir sua diversidade cultural. Para compreender os desafios enfrentados pelas pessoas migrantes e refugiadas nos dias atuais, também conheceram o trabalho da Missão Paz, instituição que atua no acolhimento e apoio às pessoas que chegam ao Brasil em busca de novas oportunidades de vida.

A experiência permitiu aos estudantes relacionar passado e presente, percebendo que a migração é parte fundamental de nossa história e continua sendo um importante fenômeno social, marcado por encontros culturais, solidariedade e construção de novas possibilidades.

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