05.02.21

A saúde mental em ciclos de crise

A quarentena impacta nas relações pessoais e reforça a importância dos norteadores jesuítas.

A saúde mental em ciclos de crise

O afastamento coletivo imposto pela crise sanitária do novo coronavírus está prestes a completar um ano. Desde o primeiro indicativo de isolamento social, muitas rotinas foram impactadas e ainda existem muitas dúvidas sobre o fim do período de quarentena e um retorno possível a uma normalidade semelhante à de antes da pandemia.

Não é por excesso ou por capricho que o tema saúde mental tem sido tão abordado. Diante das restrições coletivas e das mudanças de comportamento, como conseguir preservar a singularidade e não ser derrotado pelos efeitos negativos do isolamento social e da pandemia?

Sabemos que uma crise sanitária extrapola fatores individuais, influenciando esferas econômicas, políticas, ecológicas e tecnológicas, que acabam constituindo o tecido social, diverso.  Se vemos mudanças diretas no trabalho, nos estudos e no lazer é porque não é possível esquecer as conexões que nos afetam como sociedade globalizada. Um colapso do sistema de saúde do Amazonas irá nos afetar de algum modo, se não diretamente.

Com o desenvolvimento de vacinas e o início tímido de campanhas de imunização no Brasil, outros fatores podem influenciar o aspecto psicológico de cada indivíduo, como a demora ao acesso à imunização, planos precários de vacinação, políticas de faixas prioritárias e as dificuldades simples para lidar com a cobertura não imediata da imunização.

No momento, os métodos de proteção seguem os mesmos: isolamento social; não aglomeração; lavar as mãos com água e sabão frequentemente, ou higienizá-las com álcool em gel; cobrir o nariz e a boca com o cotovelo, ou com um lenço descartável, ao tossir e espirrar; evitar contato próximo, mantendo no mínimo um metro de distância das outras pessoas.

A principal indicação de prevenção, o isolamento social, rompe com um formato interacional. A falta de convívio real, presencialmente, pode gerar estresse, incerteza, ansiedade, angústia e medo. Mesmo quem “opta” por não seguir as recomendações em prol da coletividade sente, de modo variável, os efeitos de um mundo que não está alheio à pandemia, afinal as restrições seguem válidas de acordo com os picos de contágio e, se uma parcela da população segue se orientando em prol de medidas para o não aumento dos casos de contaminação, a vida social seguirá não parecendo igual a de antes.

A Organização Mundial da Saúde alega não haver definição oficial para o termo saúde mental. Há subjetividade em meio às diferentes culturas no mundo. O que é certo é a nossa dificuldade de lidar com o desconforto, com a saída de um cenário de estabilidade em ciclos epidêmicos.

De modo geral, comportamentos que induzem à rotina podem auxiliar em períodos de exceção. Manter uma rotina fixa, com o estabelecimento de tarefas diárias a cumprir, é o ponto inicial para se atravessar a quarentena de forma saudável. Seguir com os cuidados diários com a casa, com a família, com a alimentação e com a saúde também impactam positivamente, assim como cuidados com os ciclos de informação, com o consumo digital descontrolado e com a checagem de fake news.

O Colégio Medianeira também guia seus enfrentamentos a partir do Mapa de Aprendizagens, que apresenta importantes aprendizagens socioemocionais desenvolvidas em todas séries. Destacamos no Mapa a importância dada para o autoconhecimento, a interdependência positiva, o reconhecimento do corpo, reconhecimento dos seus diferentes estados emocionais, verbalizando e expressando corporalmente seus sentimentos, regulando-os com mediação.

O PEC, documento norteador da Rede Jesuíta, reforça com muita atenção a prática do cuidado pessoal e com os demais. Em seu artigo 75, menciona: “Tem especial relevância o cuidado pessoal de cada um dos membros da comunidade (cura personalis) […]. Trata-se de cuidar da pessoa, porque ela é sempre o centro do processo, e, ao mesmo tempo, garantir o alcance dos resultados nos processos que são nosso compromisso institucional com alunos e famílias”.

Em tempos tão difíceis, é um compromisso do Colégio Medianeira e da Rede Jesuíta vislumbrarmos caminhos para mantermos uma mente sã e o corpo são frente à vulnerabilidade das incertezas que nos rondam e à necessidade de superarmos juntos uma crise sanitária de proporções mundiais. Não podemos esquecer do cuidado consigo e com os demais, buscando sempre a premissa de sermos cidadãos globais conscientes, competentes, compassivos e comprometidos.

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