08.08.18

Roberta Uceda: paixão pela sala de aula

Com quase 30 anos de Medianeira, a educadora é um exemplo de excelência humana e acadêmica.

[fusion_builder_container hundred_percent=”yes” overflow=”visible”][fusion_builder_row][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”] Roberta chegou ao Medianeira para substituir um professor. E aqui está há 28 anos.

Texto e entrevista por Jonatan Silva

A chegada da professora Roberta Uceda ao Medianeira tinha data para acabar: estagiária, foi contratada para substituir um professor em licença de saúde. Isso faz quase 30 anos. De lá para cá, a educadora que, atualmente, é Orientadora de Aprendizagem da 2ª série do Ensino Médio passou por coordenações e supervisões, sem jamais abandonar seu amor pela sala de aula e pelo contato com os estudantes.

Exemplo de excelência humana e acadêmica, Roberta é figura importante não somente na história do Medianeira, mas também na luta pela desmitificação da epidermólise bolhosa, doença rara que afeta a pele e a mucosa.

Para conhecer mais sobre a trajetória da professora Roberta, leia abaixo o bate-papo com a educadora.

Para começarmos, como foi a sua chegada aqui no Colégio Medianeira?
Eu cheguei no mês janeiro, em 1990. Faz 28 anos que estou aqui. Entrei dando aula de matemática para antiga 8ª série [/fusion_builder_column][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][atual 9º ano]. Na ocasião, foi professor Lorenzato, já falecido, quem me contratou. Eu tinha sido aluna do Colégio, então e conhecia algumas pessoas daqui.

Na época, na faculdade de Biologia, eu fiz um período de estágio no Medianeira, substituindo um professor em licença de saúde. Eu já tinha algumas experiências em sala. Quando me chamara para lecionar existia uma relação de habilitação para quem era formado em Ciências Biológicas para dar aulas de Matemática até o fundamental II. A princípio era para ser um período de substituição e eu fiquei sete anos. Não era o meu sonho, mas com o passar do tempo me envolvi tanto que acabou se tornando um ideal o trabalho com a Matemática na 8ª série.

Passaram-se esses sete anos, o professor Rudi, que era o coordenador do Ensino Médio – verdade, ele era vice-diretor do Colégio – veio conversar comigo: “Roberta, você não quer voltar para Biologia?”, fazendo então uma menção à necessidade até de eu ir para o Ensino Médio. Foi aí que, em 1997, me lembro bem que eu fiz a passagem, deixei a Matemática e fui pro Médio, dando aula da 1ª série ao Terceirão. Um ano muito marcante, no sentido da exigência que isso me causou pela distância que estava da Biologia e já encarar de frente um Terceirão com perspectivas de vestibular e retomada de conteúdo. Assumindo as séries com toda essa característica do Medianeira de produção de materiais, de contextualização de relação com o cotidiano.
A 3ª série sempre me desafiou nisso: como fazer o preparatório para o vestibular, para a entrada na universidade, e, ao mesmo tempo, conseguir trazer a Biologia para dentro da vida do estudante, significando e dando sentido para além de uma prova. E isso é algo que temos buscado de forma global em todas as disciplinas do Terceirão.
A gente sempre buscou fazer um trabalho muito integrado com a relação de contexto, propriamente dita. Foi um ano puxado. Depois disso eu fiquei oscilando nas três séries, até que eu me fixei no Terceirão só e um período em que assumi praticamente sozinha a 3ª série. Depois nos dividimos em dois professores e nessa minha trajetória de todo esse período em 2004, no segundo semestre, eu fui convidada também para integrar a equipe pedagógica fazendo a supervisão da 5ª série [atual 6º ano] até o Ensino Médio e fiquei por um ano porque, na sequência, recebi o convite para assumir a coordenação do Ensino Médio. Fiquei dois anos como coordenadora. Foi um período muito interessante e, ao mesmo tempo, desafiador. Eu pedi para o professor Beto [Adalberto Fávero], que era o Diretor Acadêmico da escola, para sair do cargo porque eu fazia a sala de aula junto. Então, misturava muito a função a visão enquanto professora, além de ser um segmento que, de certa forma me exigia um lado na coordenação que eu descobri não me identificar muito. Ali, na ocasião, ele me fez a proposta de assumir a coordenação dos 8º e 9º anos, que ainda era 7ª e 8ª séries, onde fiquei cinco anos. A princípio estava naquela da identificação ou não com a função da coordenação e acabei indo para lá onde houve uma identificação um pouco maior com a Unidade [de Ensino]. Mesmo assim eu gostava e sempre gostei muito do contato direto com o estudante.

Depois desses cinco anos, a professora Geralda [Colen], que era responsável pela Orientação Pedagógica do Ensino Médio, saiu e houve a oportunidade de trabalhar com uma maior proximidade no processo formativo com o estudante, que é o que sempre me encantou. A sala de aula sempre foi a minha paixão. Em todo esse período eu nunca deixei a sala de aula, eu sempre combinei, de 2004 para cá, as duas funções. São anos, por um lado, riquíssimos, e, por outro, muito exigentes. Por mais que a gente sempre foque o Terceirão no vestibular e no ENEM, a gente jamais abriu mão de uma proposta mais crítica e inserida em um contexto. Dialogar com a Biologia sempre foi muito prazeroso nessa dimensão, levando o aluno a conhecer a vida, conhecer as interações que a vida traz, as várias formas de vida e tudo isso em consonância com a cultura na qual estamos inseridos.

A 3ª série sempre me desafiou nisso: como fazer o preparatório para o vestibular, para a entrada na universidade, e, ao mesmo tempo, conseguir trazer a Biologia para dentro da vida do estudante, significando e dando sentido para além de uma prova. E isso é algo que temos buscado de forma global em todas as disciplinas do Terceirão.

Deixar a sala de aula nesse ano foi muito difícil para mim. Eu tinha deixado um ano, quando estava na Coordenação dos 8º e 9º anos, mas eu retomei na sequência, assim que tive a primeira oportunidade. E agora, por conta do mestrado, que finalizo esse ano, eu realmente precisei reduzir carga horário para conseguir o tempo para dedicar a ele. Aí, eu tive que deixar a sala de aula com muita dor no coração. Eu falo que eu não pensei muito. Se eu ficasse pensando demais, eu não teria coragem. A sala de aula me encanta muito. A possibilidade dos vínculos que a gente faz, a partir do viés do conhecimento, obviamente, mas é muito intensa essa vivência de sala de aula. Isso me chama muito e me dá muito sentido, renova a minha esperança na educação. Essa faixa etária deles [estudantes], essa vivência do Terceirão é algo muito encantador.

Ser professora é uma vocação ou uma descoberta que só acontece em sala de aula?
Eu descobri. Eu fui fazer Biologia não sabendo muito o que queria, mas sabendo que eu gostava da Biologia, porém, eu não me via ainda uma profissional. Eu não sabia que eu queria a área da educação. Eu fiz muitas tentativas na época da universidade, até no viés da pesquisa, propriamente, de uma trajetória mais acadêmica. Eu não me encontrei. Só fui me encontrar mesmo quando fui para a prática de ensino. Foi aí que eu enveredei pela educação, no contato com a escola, com os estudantes. Foi assim que eu me construí como professora e tenho me construído. O nosso processo nunca está finalizado.

A Biologia, muitas vezes, é vista como uma disciplina isolada, desconectadas das demais – o que é um grande equívoco. Como fazer com que os conteúdos da disciplina sejam percebidos como algo cotidiano?
O primeiro desafio que eu vejo é, justamente, a forma como a Biologia foi constituída. É uma visão cartesiana, uma visão classificatória e enciclopédica. E ela continua sendo assim. Se você pegar os livros didáticos do Ensino Médio, nós ainda temos uma Biologia enciclopédica. O nosso grande desafio, por anos, tem sido, nas reuniões entre professores – e nesse ponto o Medianeira sempre deu muita abertura –, para que a gente pudesse discutir concepção de ciência, concepção da Biologia, e a gente reler isso em uma visão de complexidade [teoria defendida por Edgar Morin e que norteia o Medianeira], trazendo outras referências e autores que permitam ver a Biologia enquanto uma rede de relações, uma teia mesmo.

Acho que alguns referencias nos têm ajudado a ler a Biologia de uma outra forma e tentar levar isso para a sala de aula dentro de uma proposta metodológica. É aí que vem o grande desafio: como é que a partir de uma nova concepção consigo traduzir isso para o meu aluno? É preciso romper com algumas propostas curriculares consolidadas. A gente tem tentado fazer uma proposta curricular que dialogue mais, que abra mais, que mostre as relações entre os conteúdos. Eu não vou estudar só botânica pela botânica. Eu preciso estudar as plantas em sua relação com todo o ecossistema, sua relação com os outros organismos, com os fatores abióticos.

Eu falo isso no presente porque a gente estava participando, no ano passado, das reuniões em que essas questões foram muito fortes. É um desafio permanente. Acho que a gente tem buscado gradativamente dar um diferencial na questão de contextualizações. Eu comentei sobre o viés da saúde pública, mas há também temas vinculados à ecologia, à genética – com as teorias gênicas, os organismos geneticamente modificados.

Tem muitas questões relacionadas à biotecnologia, uma ponte muito atual da significação da Biologia nesse contexto. Nós temos alguns eixos que nos permitem dialogar mais e mostrar essas inter-relações.

Em dias que cheiram à distopia e ao esmorecimento das relações, qual o papel do professor na formação de homens e mulheres mais justos, fraternos e abertos ao diálogo?
Eu entendo que o nosso papel de professor é ajudar a enxergar e a ler a realidade. E para ler a realidade eu vou precisar de vários referenciais de diversas áreas do conhecimento. E é aí que eu entendo que o conhecimento vai te alicerçar e te ajudar a ver o mundo de forma diferente e mais crítica.

Eu acho que o nosso papel, enquanto professor dentro da escola, é favorecer o acesso do nosso estudante a esses vários conhecimentos de uma maneira mais aberta e mais motivadora. Eu diria que hoje o nosso papel como motivador nesse processo é altamente desafiador. Hoje, a gente tem que encantar. A gente tem, sim, dificuldades de lidar com essa geração que dialoga de uma maneira diferente e que está pensando e aprendendo de outras formas. Como nós conseguimos motivá-los e acessá-los para esse processo?

Eu acho [que o desafio] é fazer essa mediação e, ao mesmo tempo, dar esperança. Tem um lado de a gente sempre ver muito a realidade nua e crua e, claro, desmotivar [os estudantes], imobilizar o sujeito na perspectiva do “está tudo tão ruim” que isso te paralisa. Acho que a função professor é, ao mesmo tempo, em que te proponho “vamos conhecer e aprofundar, vamos ler a realidade sobre outros pontos de vista”, também conseguir alimentar alternativas de superação, de poder construir o mundo melhor, associado às práticas profissões, ao aluno que está saindo daqui já visando a universidade e pensando: “que tipo de profissional eu posso ser para fazer a diferença e contribuir nesse mundo?”.
Eu vejo que tem que ter muito tête-à-tête, tem que ter proximidade com o estudante para escutá-lo e provocá-lo também a se descobrir. Tem que buscar, pesquisar, sair um pouco de si nessa procura.
Você desenvolve um trabalho muito importante e interessante de Orientação Profissional com o Ensino Médio. Como mover o jovem para além dos seus medos na vida adulta?
Eu diria que muito é a gente tentar descobrir – e ajudá-los a descobrir – as suas potencialidades. Obviamente, quando o estudante se identifica um pouco mais com áreas relacionadas àquilo que o currículo escolar reforça predominantemente é mais fácil você ver afinidades. E quando eu não me identifico com isso? Por exemplo, as potencialidades mais vinculadas às artes ou outras áreas que o currículo brasileiro não necessariamente tem dado tanta valorização.

Eu vejo que tem que ter muito tête-à-tête, tem que ter proximidade com o estudante para escutá-lo e provocá-lo também a se descobrir. Tem que buscar, pesquisar, sair um pouco de si nessa procura. “O que eu gosto? Com o que eu me identificado? Com o que eu acho que tenho afinidade?”. Tem que provocar neles a vontade de se descobrir e descobrir coisas boas que eles gostam, ou gostariam, de aprender e se sentem capazes de fazer.

Acho que tem que ser por essa linha de provocar o autoconhecimento, gerar um pouco mais de movimento de pesquisa – e aí vão várias estratégias que a gente faz –, valorizando as potencialidades.

Sempre-alunos durante visita ao Colégio.

Além de todo o seu trabalho no Medianeira, você está envolvida com a Associação Paranaense de Pais, Amigos e Pessoas com Epidermólise Bolhosa (Appapeb). Como é a luta para desmistificar a doença e levar informação às famílias e às pessoas com EB?
A Appapeb foi fundada há pouco mais de três anos. Eu sou a presidente da associação, e sou uma das fundadoras, junto com outra família – a Jéssica, mãe do Miguel de 3 anos – e sou mãe de uma moça de 23 anos que tem EB. A Jéssica me procurou e me encorajou a fundar a Appapeb. Os pais dela, avós do Miguel, também fazem parte fazem parte do grupo, nós temos uma terapeuta ocupacional – que acompanhou muito a Tauane quando pequena – e uma assistente social, que é a Luciana [Mercês, que trabalha no Medianeira].

O que me chamou para a associação foi que, de uns tempos para cá, muita gente vem me procurar como alguém que tem uma filha com EB e que tem experiência para ajudar para outras pessoas. Essa movimentação em relação à orientação sobre uma doença que não é conhecida batia na minha porta. Isso começou a se intensificar e chegou um momento em que realmente era importante [criar a Appapeb]. Teve todo o respaldo de um grupo, que “bancou” tudo junto comigo. O Gilberto, meu marido, também participa cuidando da parte administrativa. A gente não faz nada sozinha. A associação precisa realmente de um grupo que se engaje e que tome frente.

O nosso desafio tem sido levar informação. A EB é uma doença que não é conhecida, é uma doença rara. No Paraná hoje, depois de três anos, nós estamos com 31 pessoas que sabemos que tem epidermólise bolhosa, mas a perspectiva é que existam mais. A cada tempo sempre aparecem mais casos. Há mais ou menos um mês nós descobrimos dois adolescentes, que moram em Curitiba, e que ninguém conhecia. Só para ter uma ideia de como a comunicação favorece.

Nós iniciamos a Appapeb com 11 pessoas com EB e hoje nós estamos com 31. Então, a comunicação e a divulgação têm gerado maior proximidade, trazendo as pessoas e juntando força. Muitas das pessoas que nós conhecemos não sabia nada sobre a doença e sobre a necessidade de curativos especiais. A epidermólise bolhosa é uma doença de fragilidade de pele e de mucosas por incapacidade de produção de colágeno de uma forma normal. Ou não fabrica o colágeno ou ele é deficiente.

Nessa perspectiva, essas pessoas têm muitas lesões porque a pele se rompe com facilidade, faz bolha e, no lugar da bolha, faz uma lesão. Nós precisamos de curativos especiais. Não podemos usar nada que faça uma aderência e que eu tenha que puxar depois, porque se for assim eu faço um atrito e o rompimento da epiderme. Então, esses curativos eu não tenho em farmácias comuns para comprar. Esses curativos são especiais e a maioria produzido por multinacionais. E como se consegue? Por medida judicial. A Secretaria de Saúde não tem em nenhum posto de saúde esses curativos e são poucos os estados que possuem um centro de referência de doenças raras. Nós ainda não temos isso e se você for em qualquer posto de saúde você não vai encontrar [os curativos].

É preciso entrar com um recurso para a Secretaria de Saúde, o posto [de saúde] nega] e é necessário entrar com mandado judicial. Esse é um aspecto em que a associação tem buscado ajudar porque é o que podemos oferecer como qualidade de vida, pois, sendo uma doença rara – e genética – mós não temos ainda uma perspectiva de cura. Existem muitos estudos, muitas experiências com terapia gênica e com células tronco, mas sem uma perspectiva de cura.

O que a gente pode oferecer são recursos que tornem a vida dessas pessoas menos traumática porque é uma doença multissistêmica. Você fala que a EB afeta a pele, mas pode causar junção dos dedos e você tem uma questão de mobilidade. Pode acontecer situações em cicatrizações, um joelho pode cicatrizar fletido. E, por isso, nós temos pessoas que infelizmente não andam. E, por falta de informação e de acompanhamento, não tiveram o desenvolvimento dentro daquilo que seria o melhor. A gente lida com uma perspectiva de orientar crianças sobre o enfaixamento de dedos para evitar que se juntem, a atividade física, o alongamento necessário para evitar a atrofia. E, ao mesmo tempo, a busca pelos curativos especiais que são à base de silicone.

Nós temos contato com várias empresas, enquanto associação, para conseguir amostras [dos curativos] para as famílias, além da ajuda para que possam encaminhar processos judiciais, que ainda são necessários. Eu acho que os desafios são a orientação às famílias, o apoio – físico e emocional, pois tem uma questão muito importante que é você lidar com a diversidade, com o diferente. A epidermólise bolhosa é uma doença que chama muito a atenção, porque as crianças têm lesões e as lesões são aparentes.

A nossa luta tem sido essa. Muitas vezes fazemos eventos para unir as famílias e para a troca de experiências. Uma vez por anos a gente tem viajado para o interior do Paraná porque a associação é paranaense. A gente tem acesso direto com algumas famílias aqui em Curitiba, mas muitas são do norte e de regiões mais distantes. Então, nós temos feito um movimento de, uma vez ao ano, visitamos cada família para ver qual é o contexto, quais são as necessidades e no que podemos ajudar.
É uma batalha que me construiu como pessoa e tem me construído como pessoa. É uma batalha que não me roubou a sensibilidade e não me roubou a esperança
De todos esses anos de Medianeira, qual momento você considera o mais marcante?
Eu tive muitos momentos positivos e acho que é por isso que estou aqui até hoje. Se a gente não é feliz a gente busca uma outra alternativa. Se eu trago uma experiência hoje, é também fruto de todas possibilidades que eu tive aqui entro da escola, sem dúvida alguma.

Eu tenho muita gratidão por todas as oportunidades que eu tive aqui dentro. Então, de uma forma geral, eu sou muito feliz no Medianeira. Algo muito marcante, eu posso dizer, foi uma época em que eu dava aula sozinha para o Terceirão – de uns tempos para cá a gente tem dividido em duas professoras – e com aquela pressão de dar todo o conteúdo – naquela visão enciclopédica –, eu lembro do quanto eu falava. Eu comecei a ficar afônica, cheguei a fazer calo nas cordas vocais. Não olho com pesar essa situação, tanto que eu fiz um ano de fonoaudióloga e me recuperei. Eu me lembro dos alunos sempre me ajudando. “Pessoal, silêncio porque a Roberta está rouca”, eles diziam. Essa solidariedade e essa visão carinhosa me marcaram muito.

Se você pudesse resumir, o que o Medianeira representa para você?
Representa a minha vida, estou 28 anos aqui. Representa muito, muito esforço, mas também muita conquista. É uma batalha, mas eu diria que é uma batalha que vale a pena. Eu não tenho dor nenhuma: eu estou chorando de emoção, sabe? É uma batalha que me construiu como pessoa e tem me construído como pessoa. É uma batalha que não me roubou a sensibilidade e não me roubou a esperança. Eu me considero uma pessoa ótimas, que tem esperança na vida e em um mundo melhor. Acho que todo o tempo em que estou aqui me permitem sonhar e me reencantar com a vida.

Qual a maior lição que os estudantes te ensinaram?
Eles me deixam muito essa coisa da verdade. Eu gosto muito de pessoas transparentes, que são o que são. Se gostam de você, falam que gostam porque é verdade.

Para fecharmos, você poderia indicar um livro, um filme e um disco?
– Livro: Modernidade líquida – de Zygmunt Bauman

– Filme: Intocáveis – dirigido por Olivier Nakache e Éric Toledano

Música: Marisa Monte (clique aqui e ouça a playlist com a arista).[/fusion_builder_column][/fusion_builder_row][/fusion_builder_container]

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