Projeto Zelo já é vivenciado nos corredores e salas de aula.

Projeto Zelo já é vivenciado nos corredores e salas de aula.

Texto por Jonatan Silva

Os alunos do Ensino Médio do Colégio Medianeira participaram no mês de maio de mais uma ação do movimento Abra seus olhos e veja coisas novas, o projeto Zelo. Idealizado pelo professor Alessandro França Quadrado, responsável pelo Serviço de Orientação e Convivência Escolar (SOCE) da unidade, o projeto nasceu por meio do trabalho do Núcleo de Linguagens, tematizando questões como a inclusão e a tolerância.

Desde o início, relata Alessandro, foi possível perceber que a abordagem poderia acontecer não somente com as disciplinas de linguagens, mas como dentro da unidade de ensino em geral. “A partir disso, surgiu a ideia de se trabalhar com alguns educadores que, muitas vezes, acabam esquecidos.” A primeira etapa do Zelo apresentou aos estudantes as histórias de alguns educadores da equipe de zeladoria.

O projeto foi encampado com a ajuda de professores de diversas disciplinas. Um vídeo com as biografias, histórias de vida e depoimentos das zeladoras foi produzido pelo professor Bruno Ruiz, da Oficina de Artes Visuais e curador do Sinal Musical. Para o educador, ao trazer o assunto à tona é preciso reavaliar a relação do sujeito com o espaço físico. “O interessante de estar nos bastidores de um projeto como esse, é que as reações vão além das que esperamos provocar nas pessoas atingidas por ele. Ser parte atuante do projeto, e mais que apenas um alvo, terá grande valor na formação humana dos envolvidos”, define Ruiz.

Sustentabilidade

Um dos temas do projeto Zelo é a sustentabilidade das relações humanas. Na visão de França, as palavras-chave para se compreender o conceito são: respeito, cuidado, empatia e reciprocidade. “É preciso ter uma maior percepção do outro por meio de valores dentro de si. ” Para o educador, essa é uma maneira de tornar os valores mais palpáveis.

Ao se falar em sustentabilidade das relações, é preciso se desvencilhar daquilo que é oposto ao ato de zelar pela coletividade, como o egoísmo e o individualismo. Para Carmen de Cristo Lara, supervisora da limpeza do Medianeira, esse é um movimento de valorização e respeito para a equipe. “É como se fosse um abraço e em cada uma de nós”, explicou.

Despertar

A reação mais comum entre os alunos, e também nos educadores que participaram do projeto, foi o impacto com as histórias pessoais e sonhos relatados nas entrevistas do vídeo criado pelo professor Bruno Ruiz. “Os alunos foram chamados a se colocar no lugar do outro e ver o quanto uma pessoa pode ser ajudada ou prejudicada por uma ação que, muitas vezes, é sistemática”, disse França.

A ação trouxe também o despertar para a questão. Segundo Alessandro, após assistirem aos vídeos muitos estudantes se manifestaram com propostas para uma relação mais sustentável. Carmen de Cristo Lara já identifica mudanças no dia a dia. Para a educadora, novas atitudes começam a ser incorporadas no cotidiano de alunos e educadores.